Opinião

O exemplo da zungueira

Luciano Rocha

A zungueira é digna de respeito, até admiração, pela generosidade, sacrifício, trabalho , que lhe desenham  a vida iniciada ainda sem o sol nascer e terminada quando ele ainda não se pôs.


Ela, tantas vezes, além de mãe, também pai, chefe de família, a única responsável pela comida que entra em casa, conseguida pela zunga feita de quilómetros com bacias à cabeça a abarrotar do que a cidade come, não raro com um filho às costas e outro pela mão, pode parecer, mas não é super mulher. Sofre, chora, ri, ama. Por isso, volta e meia pára, senta-se até. Tem direito a isso.
Esta é a zungueira. Confundi-la com as que fazem quitandas - de vender tudo, até comida “pronta a ‘comer’” - em passeios, passagens aéreas pedonais, nas próprias vias destinadas a carros, quantas vezes sentadas em cadeiras trazidas de casa, é ofendê-la. Mais ainda se a comparam a cambistas “mascaradas” de vendedoras de saldos. Tratá-la como tal é ofendê-la. A ela e a todas as mulheres trabalhadoras de Luanda e de todo o país.
Zungueira, a mulher exemplo, merece protecção, que lhe é devida, e não tem. Talvez, o poder autárquico que aí vem, resolva, entre tantas outras, esta situação. Desde que exercido por pessoas diferentes, não “caras novas” de gente com hábitos caducos, cujos resultados se conhecem. Trocar personagens nem sempre melhora o espectáculo.

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