Opinião

O futuro a todos nós pertence

Ramiro Barreira

Os novos paradigmas da governação do Presidente da Republica, João Lourenço, trazem consigo, por arrasto,  uma cultura diferente de gestão política e administrativa do país.

A primeira leitura que se pode fazer é de que os membros convidados para o executivo terão de correr o suficiente para mostrarem que as promessas da campanha eleitoral não foram apenas retórica política,  nem mera propaganda eleitoral.
Em segundo lugar, fica subjacente que os que iniciaram os grandes projectos estruturantes com os recursos financeiros usados de forma inapropriada e inadequada, terão de os concluir seja a que custo for, a menos que se justifique  em rigor que os mesmos serviram o interesse para que foram predestinados.
Há no fundo aspectos ligados à ética política e de gestão dentro dos marcos e das regras dos servidores públicos.
O que temos assistido, em especial os mais atentos no “inside” dos labirintos da política nacional, é que a luta contra a moralização dos actos e servilismo público já se iniciou, embora de maneira muito ténue, mas com sinais de que daqui para frente o caminho é outro e esta cruzada, doa a quem doer, é para seguir em frente. Temos verificado nos últimos dias uma mudança nos  discursos ao nível dos departamentos ministeriais e nas empresas públicas de que os tempos mudaram e os comportamentos têm de ser outros. Os que teimam, talvez não tenham compreendido a eficácia e o alcance dos avisos à “navegação” de que o lema agora é o combate acérrimo à corrupção e ao nepotismo.
Há sinais e comentários que têm sido feitos nos corredores da diplomacia mundial de que este processo, de algum “low profile” e também com algum secretismo na sua condução, é mesmo irreversível e reforça o papel e a imagem do Estado angolano.
Os condões do processamento de muitos atropelos aos princípios fundamentais da gestão parcimoniosa dos bens públicos que subsistem até hoje, podem levar ao suicídio dos que  teimam em “remar contra a maré”, numa conjuntura que lhes é sobremaneira desfavorável,  tanto no plano nacional como internacional.
Há aqui casos em que a Procuradoria-Geral da República já assumiu posições de verdadeiro órgão de garante da legalidade jurídica e mesmo do actual ministro das Relações Exteriores, que num acto quase inédito fez sair uma circular, sem veleidades, advertindo mesmo que os que extrapolaram as suas competências na utilização inadequada dos recursos do Estado ou assumiram compromissos sem o aval superior serão responsabilizados de forma disciplinar, financeira, civil ou criminalmente. Está aqui um dado dessa cruzada e da coragem, que só por si diz tudo, de que é necessário arrumarmos a casa, transmitirmos aos angolanos e à comunidade internacional a seriedade das nossas instituições e de que o combate a essa cultura de delapidação do erário público é uma questão apenas de tempo. E se nos ativermos ao pronunciamento do ministro da Defesa no acto da sua apresentação ou do Presidente do Tribunal Constitucional na tomada de posse do novo Presidente, não tenhamos dúvidas que essa luta já começou e a procissão vai apenas no adro. A sua falha seria, na eventualidade de suceder, o ruir e o corroer da estrutura do Estado na sua forma mais degradante. Ninguém está interessado neste desiderato, porque o futuro a todos NÓS pertence, numa base de seriedade e de respeito mútuo entre todos os cidadãos deste país.

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