Opinião

O incansável trabalho de reconstrução da imagem de Angola

Ao participar nas actividades da Semana de Sustentabilidade de Abu Dhabi, na cerimónia de entrega do Prémio de Sustentabilidade Zayed aos vencedores e falar sobre “O futuro de África”, o Presidente da República, João Lourenço, foi mais uma vez cirúrgico na sua análise e nos argumentos expostos às autoridades e personalidades de diferentes países.

Como tem feito em todas as suas intervenções, João Lourenço destacou o grande paradoxo entre uma África que é o berço da humanidade - um continente com todas as condições naturais e humanas para o desenvolvimento - em oposição ao cenário de pobreza e êxodo dos africanos para o continente europeu. Quando João Lourenço questiona a origem desta falha, está muito mais a responder do que a perguntar algo.

Nas palavras do próprio João Lourenço, “ao longo do tempo, o continente perdeu a favor de terceiros, aquilo que de melhor sempre teve e citei no início desta minha intervenção. Se, por um lado, perdeu pela via da escravatura os seus melhores filhos, sua mão-de-obra, continua hoje a perder os seus melhores quadros formados nas Universidades dos países mais desenvolvidos, e que os aliciam a ficar para desenvolver as suas economias”.

Esta afirmação, longe de ser um lamento, constitui importante autocrítica, pois é necessário conhecer a si mesmo para poder superar os obstáculos. O continente africano, destacou João Lourenço, continua “a perder nossos recursos minerais, que são exportados em bruto sem criar nos nossos países valor acrescentado e postos de trabalho qualificados”. Esta constatação é uma dura realidade que denuncia o pouco que foi feito para mudar um cenário secular.

João Lourenço tem sido enfático e persistente na questão da qualificação dos nossos quadros. Em Abu Dhabi deu ênfase à educação ao citar a erradicação do analfabetismo como a primeira acção a ser tomada para “vencer três grandes desafios”, seguida por “electrificar-se e industrializar-se para se desenvolver.” Esse tripé - educação, energia eléctrica e industrialização - forma, na visão do Presidente angolano, a base para a transformação desta realidade que persiste em caracterizar a nossa história. “Só assim vamos criar riqueza e bem-estar para os nossos cidadãos, e emprego como principal fonte para todas as oportunidades.”, sentenciou João Lourenço.

Com uma visão optimista, João Lourenço deixou uma mensagem positiva de que é possível realizar este “sonho” de uma África desenvolvida, industrializada, com capacidade de explorar de forma sustentada os recursos que possui e também de promover a diversificação da economia a partir dos recursos que dão as respostas imediatas às questões económicas, como é o caso do petróleo.

Ao defender o uso de diferentes matrizes energéticas no conjunto dos esforços de desenvolvimento do continente africano, João Lourenço revelou muito conhecimento e capacidade de planear o futuro quando citou que “em benefício do futuro da Humanidade, África, com os abundantes recursos hídricos de que dispõe, sol por todo ano e vento a se desperdiçar, deve privilegiar o desenvolvimento e utilização das fontes limpas e renováveis de energia”.

Como sabemos, o grande debate no mundo gira em torno das questões climáticas que, em síntese, são a tentativa de encontrar saídas para a exploração sustentável das riquezas do planeta. Referindo-se especificamente sobre África, João Lourenço fez questão de afirmar que “bons exemplos não nos faltam, podemos mudar o quadro actualmente vigente no continente, dependendo sobretudo das decisões corajosas que em primeiro lugar nós, os africanos, viermos a tomar”.

De volta ao nosso país, num discurso dirigido a 92 entidades, sendo 53 embaixadores, 24 cônsules, quatro encarregados de negócios e dez representantes de organizações internacionais, o Presidente João Lourenço apelou aos presentes a levarem aos seus respectivos países a imagem de uma nova Angola. Um país que está a equilibrar as contas, através de acordo com o FMI - Fundo Monetário Internacional, mas também no empenho ao combate contra a corrupção e o consequente resgate da credibilidade.

E assim, ininterruptamente, João Lourenço tenta buscar as respostas internas para as questões que foram apresentadas em Abu Dhabi. O Presidente angolano sabe que Angola precisa atrair investimentos para poder assegurar a diversificação da economia. “Arrumar a casa” e construir uma imagem de credibilidade tem sido o trabalho diário para que possa encontrar as soluções que, todos sabemos, são inadiáveis.

 

* Director nacional  de Comunicação Institucional.

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