Opinião

O Irão e o seu controverso programa nuclear

Faustino Henrique

Numa altura, em que o precedente criado pelos ensaios nucleares norte-coreanos, tende a refrear os esforços para conter a proliferação nuclear, o Irão prossegue com o seu programa nuclear.

 

Numa altura, em que o precedente criado pelos ensaios nucleares norte-coreanos, tende a refrear os esforços para conter a proliferação nuclear, o Irão prossegue com o seu programa nuclear.
Aquele país, cujas ambições nucleares estão a agitar as águas da região, aproveita-se de um conjunto de factores, na conjuntura internacional, para continuar com o seu programa de energia atómica, alegadamente para fins pacíficos.
Os esforços da comunidade internacional, dos Estados Unidos e de Israel em particular, para conter a crescente aceleração do programa nuclear iraniano estão a ser ultrapassados, pelos progressos que o Irão está a fazer e pela conjuntura.
A comunidade internacional está a ficar, cada vez mais, com muito pouco espaço de manobra e, paulatinamente, parece inevitável que o Irão passe a ser visto como uma potência nuclear.
Assim, o uso de velhas opções, tais como as ameaças militares, as sanções, acompanhadas de uma conjuntura pouco favorável, sugerem, que a melhor forma de lidar com o programa nuclear iraniano é aumentar a dissuasão e, falar-se abertamente com o regime iraniano.
A crise instalada na península coreana, onde a Coreia do Norte insiste em continuar com os seus ensaios nucleares, não vai ajudar a conter o Irão, por sinal, um aliado do país de Kim Jong-Il.
Pelo contrário, a forma como a comunidade internacional vai reagir, para voltar a comprometer a Coreia do Norte, a renunciar ao seu programa nuclear, dependendo dos resultados, vai pesar na actuação iraniana.
O Irão está atento, às reacções da comunidade internacional, face aos testes da Coreia do Norte e fazem sentido as cogitações, segundo as quais, tais testes reforçarão a determinação do Irão, em prosseguir com o seu programa nuclear.
Embora as autoridades iranianas insistam, que não possuem como desiderato o uso da tecnologia nuclear para fins militares, têm tido dificuldades em provar à Agência Internacional de Energia Atómica e ao mundo, a natureza civil do seu programa.
A tentativa de Israel, de levar os países do Médio Oriente a considerar o programa nuclear iraniano, como a maior ameaça regional e congregar países árabes em torno dessa suposta ameaça, também, não está a surtir os efeitos desejados. O Egipto, país influente, no mundo árabe, fez saber que a prioridade no Médio Oriente, não é fazer face à suposta ameaça representada pelo programa nuclear do Irão, mas a imediata reactivação do processo de paz, entre israelitas e palestinos.
       O Estado judaico, que ameaça usar a força, para destruir ou retardar o referido programa nuclear, tende a ficar isolado nesta questão, atendendo que os Estados Unidos afastam, definitivamente a opção militar como via para a resolução do diferendo nuclear.
Um outro factor é a tendência para um provável distanciamento entre Israel, aparentemente o país mais interessado na contenção do programa nuclear iraniano, e os Estados Unidos, em virtude dos assentamentos e construções na Cisjordânia.
Há mesmo informações, que apontam para um aparente degelo, nas relações entre Washington e Tel Aviv, um factor que também joga a desfavor na medida em que vai desviar as atenções, para a intransigência do actual executivo israelita.
Informações postas a circular, por jornais da região do Médio Oriente, o Irão está gradualmente a dotar-se da capacidade de produzir urânio, enriquecido para os seus reactores e levantam-se receios de que pretenda chegar a um estádio, em que possam ter o domínio completo do ciclo nuclear.
Embora haja o receio, de que a transformação do Irão em potência nuclear, redunde no efeito dominó, ao nível da região, muitos sectores defendem, que as potências ocidentais deviam “falar uma única linguagem” no que a corrida às armas nucleares diz respeito na região do Médio Oriente.
A proposta egípcia para uma completa erradicação das armas nucleares em toda a região do Médio Oriente seria, uma opção a considerar, porquanto, o facto de existirem países, que possuem tais armas e outros cujas soberanias são ameaçadas, muitos hão de ter a tendência de procurar a dissuasão nuclear.
 A intransigência iraniana, em prosseguir com o seu programa nuclear compreende-se, em certa medida, atendendo às ameaças que sofre(u) da parte dos Estados Unidos, ao longo desses últimos trinta anos, um ciclo que Barack Obama pretende pôr termo.
 Os esforços da comunidade internacional, como muitos defendem, deveriam doravante concentrar-se em exigir do Irão maiores responsabilidades à medida que se torna inevitável o reconhecimento do “seu direito” a possuir e desenvolver tecnologia nuclear.

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