Opinião

O MPLA e o seu novo líder

Eduardo Magalhães |*

O presidente do MPLA , João Lourenço, segue fiel à sua narrativa política reformista e conciliadora com a própria história e os protagonistas desta gesta heróica, como Elídio Machado, Mário Pinto de Andrade, o fundador da nação, António Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos. O discurso de João Lourenço foi marcante e inaugura uma nova etapa da vida política angolana, pois o MPLA é inseparável da história do nosso país.


Num tom conciliador, João Lourenço agradeceu à Direcção do seu partido por ter apostado mais uma vez na sua pessoa como candidato ao cargo de presidente do MPLA e de ter merecido o voto de confiança da grande maioria dos delegados ao congresso histórico que o elegeu como o quinto Presidente da maior formação política angolana. Uma acção entendida como corajosa e de correcção do legado histórico.
Aqui nesta coluna de opinião neste matutino, sublinhamos inúmeras vezes que a sociedade em geral deposita uma elevada expectativa em cada intervenção e acção que João Lourenço desenvolve, augurando sempre que, à semelhança do que está a fazer no Estado, também dinamize um processo de reformas profundas no seu partido, de resto um assunto consensual entre dirigentes, militantes e simpatizantes e fazedores de opinião independentes.
O novo Presidente do partido no poder em Angola, atento ao clamor de vários segmentos internos e até da própria sociedade civil, foi simplesmente categórico: o MPLA deve transformar-se num partido ainda mais democrático, moderno e aberto, para encarar isso com naturalidade e, de uma forma geral, estar à altura dos novos desafios que a dinâmica dos tempos impõe.
A abertura democrática que João Lourenço pretende deverá estar reflectida nos domínios político, económico, cultural e social. A abertura política, com ênfase numa maior aproximação e diálogo aberto com as diferentes forças políticas e sociais, como ocorre hoje com o Executivo e os parceiros sociais, é um indicador de que o debate sobre o processo autárquico não está encerrado. Como disse o presidente, apesar de defender a sua posição inicial, o Executivo vai continuar aberto e a ouvir outras posições diferentes, caso contrário não teria tido a iniciativa de fazer esta ampla auscultação à sociedade.
A abertura informativa que o país vive hoje,  caracterizada sobretudo pelo novo papel da   imprensa pública, foi realçado como um factor  que contribuiu para trazer à sociedade maior espírito democrático e o reforço dos direitos civis e políticos.
A referência aos fazedores de opinião, que exprimem as suas posições e ideias através da imprensa, independentemente de serem ou não favoráveis, é um dado que deve ser percebido como um sinal inequívoco de que a abertura na Comunicação Social, de uma maneira geral, é para prosseguir, o que ratifica a importância dos órgãos de imprensa nas hodiernas sociedades democráticas. A actividade comunicativa levada a cabo pelos meios de comunicação social congrega aspectos da liberdade de expressão com a liberdade de informação, revelando-se, quer pelos veículos de difusão utilizados, quer pela pluralidade de destinatários, como meio privilegiado da promoção do conhecimento, do debate e da crítica no seio da sociedade.
O comportamento de muitos quadros, quando ocupam lugares de responsabilidade na função pública e no Estado, também mereceu reparos do presidente do MPLA, que sublinhou que esses militantes devem sempre colocar o interesse nacional acima dos interesses individuais ou de grupos de interesses.
É nosso entendimento que o MPLA precisa ajustar-se aos novos tempos e aos novos desafios, a todos os níveis. A aproximação aos cidadãos em geral, o diálogo com os homens de cultura, com os líderes comunitários, com os jovens, sobretudo os do meio urbano, para se fazer compreender até em termos de linguagem, às mulheres que não são da sua organização feminina, é imprescindível para levar a renovação a todas as estruturas do partido, como também reconheceu João Lourenço. As universidades devem entrar na agenda política prioritária do partido maioritário para poderem, com o seu saber e investigação científica, servir as empresas e com isso a economia nacional.
O MPLA deverá, agora que entra numa nova etapa, estar alinhado com o dinamismo do seu novo líder para, com motivação permanente, superar os obstáculos e ter capacidade para vencer os ingentes desafios - de combate à corrupção, à impunidade, ao nepotismo e à bajulação - que se implantaram no nosso país nos últimos anos e que muitos danos causam à nossa economia, afectam a confiança dos investidores, porque minam a reputação e a credibilidade do nosso país - enunciados no discurso de encerramento do congresso dos camaradas por João Lourenço.
Ser do MPLA significa servir Angola e os angolanos, por isso, foram eleitos  para Vice-presidente e SG, Luísa Damião e Boavida Neto, respectivamente, e nesta segunda-feira será conhecida a composição do Secretariado do BP e, como deixou claro o presidente do partido, esses novos dirigentes, com idoneidade e capacidade de trabalho comprovadas, mas sobretudo corajosos e comprometidos com a causa do partido, vão ajudá-lo a fazer uma governação virada para a resolução dos principais problemas da nossa sociedade, da economia e dos cidadãos. Os dados estão lançados e quem agir ao arrepio das dinâmicas dos novos tempos o seu tombo será inevitável.
*Director Nacional de Comunicação Institucional. A sua opinião não engaja o MCS.

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