Opinião

Os “Winston Churchill” de Hoje

Sousa Jamba

Em 1986, quando fui para o Reino Unido, fui apresentado a um senhor que tinha sido guarda-costas do grande Winston Churchill. Estive em vários jantares com este senhor, que gostava de ser chamado “Uncle David” ou o “tio David.”

O tio David tinha muito interesse pelo continente Africano — talvez inspirado pelo Winston Churchill que também passou algum tempo da sua vida em África, nomeadamente no Sudão, Uganda, Quénia, África do Sul, Moçambique. No Uganda, até há um jardim botânico à volta da casa, na cidade de Entebe, onde o Winston Churchill viveu.
Churchill foi um grande diplomata, um dos poucos historiadores a quem foi outorgado o Prémio Nobel de Literatura. Depois da sua morte, em 1965, muitos líderes, em várias partes do mundo, auto-proclamaram-se como verdadeiros herdeiros das qualidades do homem que foi decisivo em manter o espírito de guerra dos britânicos na Segunda Guerra Mundial. Os bajuladores profissionais também nunca hesitam em comparar os seus chefes a Churchill. Há, até, alguns líderes que tentam fumar charuto e beber muito uísque para dar a impressão de que estão lá com o grande Churchill. Winston Churchill, que é votado com regularidade no Reino Unido como o seu melhor líder na História, adorava o seu uísque — e uma vez até, apareceu no Parlamento um pouco embriagado. Claro que isto não foi durante a guerra.
O tio David disse-me que, nos momentos decisivos da Segunda Guerra Mundial, quando as bombas da Luftwaffe estavam a descarregar bombas sobre Londres, Churchill saía para tranquilizar o público e reafirmar o espírito que excluía a rendição porque, como o antigo militar que tinha estado nas frentes na África do Sul e Sudão, ele estava bem consciente da importância da firmeza psicológica do público durante a guerra. Churchill era um daqueles líderes que é bem forjado pela História na medida em que a vida de Winston Churchill é uma sucessão de vitórias e derrotas. Churchill tinha um espírito indestrutível, ele não sabia o que é perder. Quando ele caía, a sua maior preocupação era como ele iria pôr-se de pé. Há calhamaços e calhamaços sobre as qualidades de liderança de Winston Churchill.
O líder que aspira ser como o Winston Churchill vai precisar das seguintes qualidades : primeiro, carisma. Esta qualidade é, muitas das vezes, confundida com fama. Alguém pode ser bem conhecido e não ter carisma no verdadeiro sentido da palavra. Nos nossos dias de televisão e redes sociais, há figuras que são elogiadas servilmente e criam a ilusão de terem carisma. Esta é uma qualidade que grandes generais como Patton na Segunda Guerra Mundial tinham. Fidel Castro também era uma figura carismática. Kemal Ataturk, fundador da nação turca, foi uma figura carismática. O Presidente Nasser do Egipto foi, sim, uma figura altamente carismática. O Mzee Jomo Kenyatta também foi uma figura carismática. Ghandi, pai da independência Indiana, também foi alguém altamente carismático, o próprio Churchill afirmou em vida que o Gandhi foi uma figura excepcional. O líder carismático aparece em situações cruciais, onde tudo parece estar completamente perdido. Ele consegue transmitir a sua visão do futuro aos seus seguidores. Carisma está ligado a uma capacidade de oratória e os discursos de Winston Churchill, durante a guerra, mobilizavam milhões.
Uma outra qualidade do líder que aspira ser um Churchill dos nossos dias é saber identificar quadros com talento. Churchill não foi uma pessoa fácil, pois ele estava sempre em makas com os seus vários adversários. Porém, em momentos chaves, ele não hesitava em pôr a pessoa certa no lugar certo — mesmo se se tratasse de alguém com quem ele tivera diferenças. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Grã-Bretanha teve vários comandantes que brilharam como Bernard Montgomery, Louis Mountbatten. Estás figuras não eram lambe-botas, prontos a fazer tudo que o chefe quisesse. Churchill tinha que tomar em conta as visões e as coisas encaradas por eles.
Ao mesmo tempo, o líder que aspira ser um Churchill tem que ter uma imensa capacidade de ter noção detalhada das coisas. Winston Churchill foi jornalista, escritor e ministro antes de ser Primeiro-Ministro durante a Guerra. Churchill dedicava-se a ler detalhadamente os relatórios de vários departamentos. Durante a guerra, ele passava horas com os chefes de vários órgãos de inteligência para entender exactamente a capacidade dos Alemães. Churchill não estava apenas interessado nos números, ele queria também saber do relacionamento entre Hitler e os seus generais.
Finalmente, o líder que aspira ser um verdadeiro Winston Churchill dos nossos dias tem que ter uma imensa capacidade de trabalhar. Durante a Segunda Guerra Mundial, Winston Churchill passava o tempo entre a sua casa de campo e os famosos bunkers (Cabinet Rooms) a trabalhar com uma energia quase super-humana. Sim, os passeios que Churchill fazia depois dos bombardeamentos era oportunidades para fotos. Em todo caso, por trás de aquilo havia um trabalho árduo que está a ser admirado até hoje...

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