Opinião

Os árbitros, sempre

É recorrente no nosso campeonato nacional de futebol dirigentes e técnicos protestarem contra a actuação dos árbitros. Reiteradas vezes as reivindicações sobem de tom, dando lugar a um clima de crispação pouco sim-pático para gente envolvida numa actividade social como é o desporto.

É compreensível que o homem no exercício desta ou daqueloutra actividade cometa erros. Mas há erros que roçam os píncaros do absurdo.
E quando se fala de erros de arbitragem, estamos a falar de algo que prejudica alguém. Pois, em certos casos equipas terminaram os 90 minutos de jogo derrotadas, não porque se tenham revelado incapazes ou inferiores ao adversário, mas tão só porque o homem do apito entendeu ser o protagonista do filme. E lá vai por água abaixo todo um trabalho desenvolvido ao longo da semana.
O ano de 2018 ficou futebolisticamente catalogado como o ano do "golo milagroso", verificado no jogo entre o Sporting de Cabinda e o Petro de Luanda, discutido até à exaustão, sem que se tenha chegado à conclusão se foi, realmente, golo ou não. Mas,  baseando-nos na lógica foi, porque contou e beneficiou o Sporting de Cabinda. Por sua vez, Paulo Talaya ficou na boca do mundo pelas piores razões.
Tudo quanto os actores principais do Girabola pedem é uma melhor actuação dos árbitros, que não tenham influência nos jogos, sendo os resultados determinados pelo desempenho das equipas em campo. Mas, ao que as coisas indicam estamos longe de atingir este desiderato, vai-se lá saber se por alguma imaturidade de alguns árbi-
tros ou por mera casmurrice destes.
Por exemplo, não se pode aceitar uma barbaridade como aquela que nos foi dada a ver no jogo de sábado último entre Petro de Luanda e Interclube, em que Job é deliberadamente agredido pelo adversário com quem disputara um lance, como as imagens televisivas trataram de aclarar, sem que o árbitro tenha tomado alguma medida sancionatória.
O juiz da partida, pura e simplesmente, considerou aquilo como uma acção normal, e, por via disso, aceite e admissível numa disputa de bola. Valha-nos Deus! Aquilo, onde há verdade desportiva e árbitro com algum rigor profissional, seria vermelho directo, sem curvas nem rodeios. Ou, na pior das hipóteses, um amarelo, o que já seria um atenuante.
A falta passou em branco, deixando na incredulidade toda assistência, quer a presencial, quer a televisiva. Agora, depois das imagens que se tornaram virais nas redes sociais, resta-nos esperar por aquilo que será a posição do Conselho Central de Árbitros, que, julgamos, não se deve calar perante tão descarada actuação do seu filial.

 

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