Opinião

Pior que decidir mal, é não decidir nada

Carlos Gomes | *

A economia angolana passa por uma das suas piores crises de natureza estrutural, cuja causa principal escuso-me de referir, por demais obviamente conhecida, sem que, entretanto, possa resistir quanto aos efeitos gravosos em todos os domínios e sectores da nossa vida como nação: perda de competitividade económica a nível internacional, redução drástica das Reservas Internacionais Líquidas (RIL), inflação acima de 22%, aumento dos níveis de desemprego pela descontinuidade ou suspensão temporária da actividade produtiva, crescimento em espiral de comportamentos marginais às boas práticas e regras de convivência social, entre outras.


Em presença do actual flagelo económico, pouco ou nenhum tempo nos restará, para que se justifique qualquer eventual adiamento da aplicação de medidas correctivas nesse domínio, que propiciem o ambiente adequado para a retoma imediata da produção, como imperativo de sobrevivência nacional.
Com a publicação do Plano Intercalar, contendo as linhas de força ou “medidas de choque” a implementar até Março de 2018, algumas vozes críticas fizeram-se ouvir em relação às metas apontadas ou os caminhos desenhados visando a sua concretização, como que se existisse uma fórmula exacta ou mágica que dispense liminarmente a necessidade de correcção e ajustamento pontual do Plano Intercalar durante a sua execução, no difícil exercício de prever com base em princípios e fundamentos científicos, para a mitigação de efeitos económicos desastrosos,  residindo aí a virtude da ciência económica.
Se é verdade que metas atingíveis e tangíveis são quantificáveis, o mesmo já não ocorre em relação à percepção mental-individual relativamente ao unanismo convergente, em razão da natureza do próprio ser humano. Daí a minha compreensão quanto às vozes discordantes, apesar de que o “momento implora” a conjugação – necessária de todas as sinergias intelectuais, em detrimento de “apaixonadas” discussões meramente académicas ou escolásticas, que não conduzam à tomada de quaisquer decisões.
Sendo a motivação um elemento fulcral na tomada de decisão, aproveitemos o Factor Oportunidade dos novos sinais animadores de tendência crescente do preço do barril do petróleo no mercado internacional, que se situa agora acima de 60 dólares por barril, contra os 45 dólares pb, do Plano Intercalar, abrindo portas facilitadoras à mobilidade de potenciais parceiros externos para a obtenção de recursos financeiros disponíveis de origem não duvidosa, para que numa simbiose de parcerias público/privadas, como bem defende o Presidente da República, em todas as suas abordagens económicas, iniciemos imediatamente a diversificação económica, porque: PIOR DO QUE DECEDIR MAL, É NÃO DECIDIR NADA.
* Economista

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia