Opinião

Por uma União Africana mais eficaz

Belarmino Van-Dúnem |

A União Africana elegeu um novo Presidente da sua Comissão, na verdade, a entidade máxima da organização. A disputa foi renhida e praticamente todas as regiões do continente apresentaram um candidato.

Entre os candidatos destacaram-se três ministros das Relações Exteriores, nomeadamente, do Chade, Quénia, Botsuana e da Guiné Equatorial. Mas para além destes candidatos, concorreu também o senegalês que desempenhou até ao momento a função de representante regional das Nações Unidas.  
A existência de cinco candidatos demonstra alguma falta de coordenação diplomática entre os Estados africanos, situação que não se verificou nos anos transactos. Se, por um lado, representa o grande interesse que os países têm pela organização continental, por outro pode criar afastamento ou falta de engajamento por parte dos Estados cujo candidato perde eleições.
A presidente cessante, Nkosazana Dlamini-Zuma, terminou o seu primeiro mandato com alguma modéstia. Aquando da sua candidatura em 2012 houve uma grande expectativa, quer por representar a maior economia do continente africano, mas também por ter sido a primeira mulher a exercer o cargo, para além da própria história de vida de muita combatividade e exercício de vários cargos políticos de grande responsabilidade, entre os quais a de ministra das Relações Exteriores da África do Sul, que deixou de exercer para assumir os destinos da União Africana.
Não se pode deixar de mencionar também o facto da África do Sul ter quebrado o acordo de cavalheiros ou costume até então praticado pela organização, segundo o qual os primeiros cinco Estados com maior quota não se candidatavam para a presidência da organização, à semelhança do que acontece na ONU, em que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança não apresentam candidatos para secretário-geral da organização.     
Até ao momento, os países favoritos pertencentes ao Top 5 eram a África do Sul, a Argélia, a Nigéria, o Egipto e a Líbia, mas com o conflito líbio e a consequente morte de Muammar Kadhafi, a Líbia deixou de conseguir honrar os seus compromissos.
Depois de uma intensa campanha diplomática e algumas auscultações, o candidato do Chade foi o escolhido, Moussa Faki Mahamat, antigo primeiro-ministro e actual ministro das Relações Exteriores. O Chade tem estado envolvido em vários processos de resolução de conflitos no continente africano, sobretudo na luta contra o terrorismo.
O Chade enviou efectivos militares para a Líbia, o Sudão do Sul, a República Centro Africana, o Mali, a Nigéria e para a região do Sahel. Tanto os Estados Unidos da América como a França têm o Presidente Idriss Déby Itno como um parceiro estratégico em África. No caso concreto da França, este país possui uma base militar no território chadiano responsável por defender os interesses daquele país na região.
A África Central acaba assim de eleger um presidente para a Comissão da União Africana, mas também terá contado o facto de a ala francófona da organização ter agido em coordenação. É interessante o fenómeno da divisão linguística no continente africano. Habitualmente são identificados três grupos linguísticos: os francófonos, os anglófonos e os lusófonos. Até à data a disputa para ocupar os cargos mais importantes da organização tem sido feita entre os dois primeiros grupos.
O novo presidente da Comissão da União Africana, o chadiano Moussa Faki Mahamat, terá muitos desafios pela frente, entre os quais se destacam os conflitos pré e pós-eleitorais, a coordenação das Comunidades Económicas Regionais no sentido de se incrementar a cooperação intra-africana, a captação e mobilização de recursos para o funcionamento da organização e a capitalização dos quadros africanos para que possam sentir-se cada vez mais valorizados no continente e evitar a fuga de “cérebros”. 
O Chade é um país com pouca expressão política no continente e na região, facto que poderá contribuir para uma maior abertura relativamente aos contributos dos parceiros africanos. Por outro lado, o engajamento das forças armadas chadianas em vários conflitos africanos e as parcerias bilaterais que tem com as potências ocidentais poderão contribuir para um trabalho eficiente e eficaz do novo presidente da União Africana.

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