A liberdade de imprensa em Portugal é só para os empregados dos patrões da comunicação social. Os órgãos de comunicação social são antros de poderes ilegítimos que vão desde a intriga barata aos julgamentos na praça pública.
O Ministério Público português arquivou o inquérito a Manuel Vicente e Higino Carneiro, aberto por denúncia de branqueamento de capitais e corrupção. O denunciante é um marginal, antigo presidiário, que cumpriu pena por ter cometido crimes graves. Estamos perante denuncia caluniosa. Mas serviu às mil maravilhas para o Ministério Público fazer manchetes onde o nome do Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, apareceu associado a crimes graves. Os empregados de Pinto Balsemão e Belmiro de Azevedo são falsos jornalistas. Mas verdadeiros acusadores públicos, juízes e carrascos. A opinião pública portuguesa, devidamente manipulada, participa no julgamento popular. A abertura do inquérito a Manuel Vicente e Higino Carneiro fez manchetes e abriu noticiários. Os marginais angolanos que fazem parte da quadrilha comanditada por altas figuras da política portuguesa batem na tecla da corrupção. E os portugueses, sem circo nem pão, exultam de contentamento. E são distraídos da triste realidade em que vivem mergulhados. À medida que os seus salários e pensões de reforma desaparecem, multiplicam-se os multimilionários.Entretidos com as manchetes sobre inquéritos a altas figuras do
Estado Angolano não reagem, não reclamam, não se revoltam. Angola ainda é um anestesiante poderoso para os saudosos do colonialismo. O mais grave é isto: as violações do segredo de justiça que servem para julgar e condenar altas figuras do Estado Angolano na praça públic a têm honras de primeira página. Mas os mais do que esperados arquivamentos levam apenas uma nota de rodapé. A isto eles chamam liberdade de expressão. Já não se atrevem a falar em liberdade de imprensa porque sabem que essa já há muito que não existe. Os órgãos de comunicação social portugueses hoje são apenas espaços de negócios ilícitos, instrumentos para tráfico de influências e armas de arremesso contra quem se atravessa no caminho dos detentores do poder económico. O jornalismo em Portugal já foi chão que deu uvas. Hoje é uma actividade inquietante, praticada por malfeitores sem ética, sem ofício e sem carácter Enquanto o Ministério Público e o jornalismo português viverem nesta lógica, Portugal não vai conseguir desenvolver relações de amizade e respeito mútuo com ninguém. Só com as ervas daminhas.