Opinião

Quem paga o kilapi?

José de Mátis

Não é fácil prever o desfecho que pode vir a conhecer o diferendo que envolve a Federação Angolana de Basquetebol e o técnico norte-americano William Voigt. Pois, demitida a direcção federativa que teve impressões digitais na celebração do milionário contrato, e substituída por uma Comissão de Gestão, tudo fica muito aquém das equações a que nos compele o senso comum.

É certo que em matéria de gestão herda-se o activo e o passivo. Mas, quando perante uma transição de poderes administrativamente pacífica. No caso em concreto, em que ainda não se encontrou uma nova direcção federativa, fica-se por saber se quem deve responder em juízo é o presidente demissionário, até aqui remetido a um silêncio sepulcral, ou o coordenador da Comissão de Gestão.
Claro está que a FAB, a instituição notificada, não tem como, uma vez que William Voigt serviu ou serve um interesse nacional e não particular de quem o contratou. De certeza absoluta que quando foi constituída a Comissão de Gestão foi feito o levantamento daquilo que a direcção demissionária deixava como pendente. Não há outra coisa a fazer que não seja a assumpção do compromisso de pagamento da dívida, avaliada em meio milhão de dólares.
Certos agentes desportivos que acompanham este dossier apontam o dedo a quem celebrou o contrato, como quem deve ser responsabilizado pelo pagamento ao técnico norte americano. A FAB não é uma empresa privada, em que o seu anterior gestor punha o seu capital e retirava os lucros. Quem por lá passou, seja taxado como cultor de boas ou más práticas, passou mesmo.
Porém, o que constrange por meio deste novelo é a incompatibilidade do valor a pagar e os ganhos que a modalidade teve com a celebração de tal contrato. Provavelmente, nem Mário Palma, nem Luís Magalhães, que deram títulos e alegrias ao país, tiveram contrato igual, como de um técnico que sequer se conhece o endereço residencial em Angola, cuja presença no "cinco" nacional mais pareceu uma forma deliberada de humilhar a nata de técnicos nacionais, muitos deles com reconhecida capacidade profissional.

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