Opinião

Reconciliação e estabilidade são fundamentais

O programa "Tendências e Debates", emitido aos sábados de manhã pela Rádio Nacional de Angola, analisou ontem a situação política e militar da Guiné-Bissau, tendo particularizado a realização de eleições presidenciais que decorre hoje no referido país.

O programa "Tendências e Debates", emitido aos sábados de manhã pela Rádio Nacional de Angola, analisou ontem a situação política e militar da Guiné-Bissau, tendo particularizado a realização de eleições presidenciais que decorre hoje no referido país.
Para o efeito, foram convidados ao referido debate, o docente universitário Mário Pinto de Andrade, o coronel Correia de Barros e a jornalista Milocas Pereira, cidadã guineense residente em Angola. Os intervenientes no debate foram unânimes em reconhecer que a reconciliação interna, a reforma das forças armadas, o fortalecimento das instituições se afiguram como as prioridades para o actual momento que o país atravessa.
Para Mário Pinto de Andrade, "as elites políticas guineenses deviam empreender uma conferência ou estabelecer um diálogo inter-guineense", numa alusão à necessidade de concertação política para perspectivar o futuro do país.
 O docente universitário e especialista em Relações Internacionais defendeu que, atendendo à densidade populacional e à extensão do território da Guiné-Bissau, as autoridades locais deviam ter pleno controlo do país.
 Mário Pinto de Andrade disse esperar por reformas imediatas nas forças armadas que levem à estabilização que, por sua vez, possibilite o investimento.
Entre as principais candidaturas à presidência da Guiné-Bissau, nomeadamente a de Malan Mbacai Sanhá, pelo PAIGC, a de Kumba Yalá, pelo PRS, e a de Henrique Rosa, o académico preferiu apostar no primeiro e no último, como individualidades que podem garantir estabilidade.
 Mas, a jornalista Milocas Pereira disse que "podem ocorrer surpresas", numa clara alusão à possibilidade do antigo presidente Kumba Yalá, recém-convertido ao Islão, voltar a ser eleito presidente e possivelmente logo à primeira volta.
A jornalista sustentou as suas afirmações com os últimos contactos telefónicos que manteve com compatriotas seus ligados às equipas de campanhas.
A jornalista disse ainda que o PAIGC, embora prevaleça como a maior força política, há muito que deixou de congregar em torno de si as aspirações de todos os guineenses.
 O coronel Correia de Barros, ligado ao Centro de Estudos Estratégicos, defendeu uma reversão do actual quadro caracterizado por um protagonismo de sectores ligados ao narcotráfico, que estão a investir na continuação do actual estado de coisas.
Quanto ao envio de forças estrangeiras para garantirem a transição e a estabilidade, os convidados ao debate reconheceram que a classe política está divida, os militares estão contra e que qualquer eventualidade disso se efectivar, teria de ser feito no quadro de um mandato da União Africana, com o pleno aval das autoridades da Guiné Bissau.
                                                                                  FH

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