Opinião

Recuo de 380 graus

Amândio Clemente

Levantou-se, não faz muito tempo, alguma polémica sobre o período de realização das eleições nas Federações Nacionais, com algumas delas associadas ao Comité Olímpico a proporem à instituição governamental que rege o desporto nacional a efectivação dos pleitos apenas em 2021, alegando razões de biossegurança, o que foi rejeitado por outros agentes que actuam no ramo.

Houve também argumentos que procuravam respaldo nas leis que regem o desporto no país, alegando que a realização dos pleitos eleitorais, nos prazos definidos pelo ministério de tutela, feriria de forma profunda os pressupostos legais, por causa dos “pelo menos 120 dias” estatuídos nos diplomas que regulam o funcionamento das associações desportivas.

Outros há que defendiam que as Federações eram autónomas e podiam fazer o que lhes desse na tola, apesar de volta e meia estarem a choramingar e a estender a mão a solicitar ajuda de quem dizem ser independentes. Esquecem-se os arautos da autonomia federativa, que independência só é mesmo real se for também financeira.

Mas, o ministério de tutela manteve a posição e não deu sequer cavaco à propalada proposta dos “dezassete mais um”, que viram assim goradas as suas pretensões de ficarem mais uns mesitos no poleiro das Federações que lideram. Mas, o “tiro saiu-lhes pela culatra”, e dada a rigidez do MINJUD, no que diz respeito ao cumprimento dos prazos, e a 'ameaça' velada de corte nos kumbús, e apressaram-se a convocar assembleias para marcar datas dos sufrágios, num recuo na ordem dos 380 graus.

Satisfeitos terão ficado os pretendentes a assumir os confortáveis “cadeirões” das Federações, que podem assim apresentar os seus projectos, dentro de pouco tempo, acredito, aos associados, ainda que seja por videoconferência. Neste particular, importa perguntar: Se é possível reunir por via das tecnologias digitais, porque razão é que não o é para organizar eleições, com campanhas pelo meio, utilizando a videoconferência, que já se tornou “no novo normal” em era de pandemia?

Outra pergunta que surge é: Se toda a gente chora pela falta de dinheiro, por que é que há tantas pessoas a querer enfrentar a crise de peito aberto? O normal seria fugirem de empreitada de tamanha envergadura, que é conseguir o dinheiro que, realmente, está difícil para todos. Chegados aqui, chamemos o adágio, “para bom entendedor meia palavra basta”.

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