Opinião

Resgate sim!

Carlos Calongo

A palavra resgate está na moda, por conta designação que a Polícia Nacional atribuiu à uma operação cuja marcha iniciou nesta terça - feira, 6 de Novembro.

Por razões que cada um defende como sendo a melhor, mesmo antes do seu início, a “operação resgate” foi alvo de comentários vindos de quase todos os quadrantes, com interpretações e análises díspares, que até certo ponto obrigaram a (re) ajustes – se assim podemos dizer - em relação ao entendimento dos cidadãos quanto aos objectivos da operação.
Sem qualquer intenção de julgarmos o mérito da concepção da operação resgate, ante as zonas cinzentas que pair(av)am na mente dos cidadãos em relação a metodologia escolhida para a operação, devemos dar nota positiva ao exercício dialogante que o Governo da Província de Luanda realizou com os jornalistas, e que ajudou, em certa medida, a baixar os níveis de preocupação dos pacatos cidadãos, formatados com a ideia de que a operação foi desenhada para a “prevenção e correcção de comportamentos incorrectos”.
Se calhar terá residido na estratégia de comunicação, algum ruído que motivou as reacções que se mostraram adversas aos reais objectivos da operação resgate que, para lá da codificação típica nos órgãos dos órgãos castrenses, reflecte uma tarefa que todos os angolanos reconhecem ser urgente e indispensável, pensando-se na reconfiguração da nossa sociedade como um país de que nos devemos orgulhar.
Ou seja, Angola precisa, em todas as direcções, de operações de resgate, que tenham o condão de moralizar a sociedade, desde os aspectos mais aos menos gravosos.
A título de exemplo, precisamos resgatar o dinheiro (e não é pouco), que de forma ilícita foi domiciliado em outras partes do globo, em regime de propriedade privada, quando na verdade sabe-se que o real proprietário é o Estado, de que todos fazemos parte.
De igual forma precisamos resgatar a nossa capacidade de produção de café, só para citar estes, que para além de fazer de Angola, nos idos anos oitenta, um país auto-suficiente, era fonte de arrecadação de receitas, por conta da exportação do citado produto de quem Angola já foi um dos maiores produtores a nível do continente e não só.
Precisamos resgatar o sentimento de missão que os profissionais da educação e da saúde devem possuir, baseando a actuação nos valores humanos e sagrados que alicerçam os referidos sectores como fundamentais para a construção das realidades sociais, pois deles depende o conhecimento e a vida humana.
Dos jovens precisamos resgatar o espírito de comprometimento com a pátria, imitando as motivações que os nossos ancestrais tiveram para envolver-se na luta de libertação nacional que culminou com a proclamação da independência em 11 de Novembro de 1975, e cujo 43º aniversário celebra-se no próximo domingo e, esperamos, de forma resplandecente e com esperança renovada.
O resgate passa também pelo reequilíbrio psico - emocional das pessoas que, de modo geral, vivem traumatizadas, por razões que fazem parte da nossa história colectiva, sem que exista, aqui, espaço para acusações deste, aquele ou aqueloutro.
Enfim, perante as diversas manifestações de incivilidades que a data altura pareciam ser a ratificação do anormal como sendo a regra de ouro na nossa convivência, urge a necessidade de resgatar-se o necessário para que Angola seja vista como um país normal, que propicia à quem deseja, as condições para as realizações à todos os níveis, claro, nos marcos dos institutos normativos existentes.
Em suma, precisamos resgatar o hábito pelo perdão, para evitar-se situações como a ocorrida entre o Show do Mês, Matias Damásio e Salú Gonçalves que, em última instância, penalizaram o público, que era tão-somente a parte sem nenhuma culpa.
Assim entendido o termo resgate, somos todos chamados a contribuir para o êxito da operação que não deve apenas ser vista, em rigor da definição lexical, como o acto ou efeito de libertar (alguém) ou de reaver (algo) mediante pagamento, pelo que Resgate é muito mais do que se diz.

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