Opinião

Resolver ou hipotecar

Luciano Rocha

As crianças a pedinchar nas ruas de Luanda, desde manhã, algumas, inclusivamente, à noite, são alerta que a construção da Angola, que temos a obrigação deixar aos vindouros, está atrasada.

Nenhum país pode ousar sequer sonhar, quanto mais prometer, edificar um amanhã melhor se não tiver em atenção as crianças. No nosso caso, como entraves ao desejo, já nos bastava as que são obrigadas a aprender a ler e escrever debaixo de árvores, sentadas em latas vazias que trazem de casa juntamente com livros e cadernos. Muitas vezes por caminhos distantes e de barrigas cheias de vazio. Também as que deixam de estudar - ou nunca tiveram esse direito, que a Constituição da República lhes garante - porque a força dos seus corpos franzinos é requerida para ajudar o sustento deles e da família. Igualmente, as que, por falta de locais, onde ficarem na ausência dos pais, têm de os acompanhar na procura de pasto para o gado. A juntar a tudo isso, e muito mais, há as que fazem a aprendizagem da vida na rua, com todos os perigos que as espreitam.

Às instituições, principalmente do Estado, cabe a responsabilidade de solucionar este problema. Isto, se efectivamente queremos deixar uma Angola menos má do que a temos e não hipotecar o futuro.

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