Opinião

Reviver Agostinho Neto

Carlos Calongo

Não me recorda a memória do país ter celebrado, na última década, o dia do Fundador da Nação e do Herói Nacional, Dr. António Agostinho Neto, com tantas manifestações, que recriaram a figura do “Pai da Nação Angolana”, apresentado como homem de múltiplas dimensões.

Foi um verdadeiro e merecido tributo ao primeiro Presidente da República de Angola que, no meio do fogo inimigo nos arredores de Luanda, não tergiversou em proclamar a Independência Nacional, em 11 de Novembro de 1975, e assim devolver ao povo angolano o sentimento de pertença do solo pátrio.
Em forma de felicitação expresso uma nota bastante positiva às intuições e individualidades nacionais que se manifestaram nos mais diversos feitios em tributo ao 97º aniversário natalício do Dr. António Agostinho Neto, com destaque para a liderança do partido MPLA.
De forma concreta, alegrou-me assistir ao sarau músico cultural, que remeteu os espectadores às gratas memórias do que representa para a história de Angola a prestação de músicos como Santocas, Santos Júnior, Calabeto, os Kiezos, só para citar estes, à guisa de exemplo.
Vem a propósito, a componente cultural, por ser uma das dimensões reconhecidas a Agostinho Neto, de quem os exemplos se replicam em várias direcções, desde o universo da poesia em que muitos textos do seu punho foram “imortalizados” em músicas que têm valor perene no mosaico do que melhor se fez em termos de música angolana.
Em Agostinho a preocupação constante e permanente na busca da libertação dos povos africanos, submetidos à opressão colonial portuguesa, acção que fez dele um homem de profunda dimensão política, e quase esquecido na sua formação de Médico, na Universidade de Coimbra.
O sinal dado com este reencontro da história deve constituir uma actividade permanente de todos os angolanos, independentemente da suas opções ideológicas, crença religiosa ou outras que se fundamentam nas liberdades que a cada um de nós, enquanto cidadãos, assiste.
Agostinho Neto deve voltar a ser uma das referências maiores da história contemporânea angolana, estudado com valor supremo, à luz da máxima “compreender o passado para construir um bom presente e perspectivar um futuro melhor”.
O patrono da sociedade angolana, livre do jugo colonial, deve ser revisitado em todos os momentos dos nossos dias, mantendo firme os seus ideais, que representaram a voz de comando na luta contra a ocupação colonial angolana.
Às novas gerações devem ser passadas informações sobre a dimensão do Presidente António Agostinho Neto, que transcendem a angolanidade e o africanismo, transformando-o num cidadão de universal extensão política.
Deve existir um programa estruturante por via do qual a juventude angolana deve compreender que a dimensão política de Agostinho Neto esteve sempre balizada nos anseios da colectividade, marcada na palavra de ordem “O mais importante é resolver os problemas do povo”.
Mais do que isso, incutir no espírito dos futuros dirigentes do País, para que mantenham como bússola nas suas actuações, o desejo de concretização da dignidade do homem angolano, como alguém cujos valores reprovam as vontades e desejos pessoais.

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia