Opinião

Sinais impulsionadores

Carlos Calongo

Apesar do cepticismo que com considerável grau de aceitação se apossa de alguns cidadãos, em relação às acções do Executivo angolano com vista a inverter o quadro sombrio em que se encontra a economia do país, felizmente surgem, ainda que de forma ténue, sinais impulsionadores que apontam para a existência de caminhos traçados rumo à inversão do quadro.

Contra todo o tipo de resistência interna (activa ou passiva), são assinaláveis, de modo positivo, os sinais que advêm de individualidades e instituições internacionais, para as quais a aposta do Governo angolano em estabilizar a economia tem dado passos que, apesar de pequenos do ponto de vista de resultados efectivos na vida das pessoas, são impulsionadores e com força de fazer renascer a esperança em dias melhores.
Nisso, temos como exemplo o pronunciamento da Secretária Executiva da Comissão Económica das Nações Unidas para África (CEA), Vera Songwe, que recentemente destacou, em Luanda, que “o trabalho da equipa económica do Governo angolano nos últimos 18 meses, tem permitido estabilizar a situação macroeconómica do país”, e que tais resultados “incentivam a CEA a manter o apoio às iniciativas do Executivo, fundamentalmente nos sectores financeiro e energético”.
Pela vocação da CEA (apoiar os Estados-membros no desenvolvimento de políticas macroeconómicas para o continente, em articulação com os respectivos planos nacionais de desenvolvimento), devem ser consideradas com elevado grau de optimismo as declarações acima aludidas, sobretudo por que Angola não tem, por enquanto, condições de rejeitar parcerias estratégicas das quais resultam ajudas de que o país precisa para alcançar, a curto prazo, bons indicadores ao nível de desenvolvimento económico.
De igual modo é digno de registo o anúncio da nova descoberta de petróleo no Bloco 15/6 em offshore angolano, com uma reserva estimada entre 150 a 250 milhões de barris.
Sobre este sinal, é crucial recomendar alguma contenção nas reacções, sobretudo verbais, para não serem repetidos erros do passado, em relação à forma como foram abordados e geridos os ganhos financeiros advenientes do petróleo que, como alguém certa vez disse, “ é ao mesmo tempo a nossa felicidade e desgraça”. />Entretanto, como estamos na era da diversificação da economia, faz todo sentido assinalar o facto da Companhia de Bioenergia de Angola (Biocom) permitir o país poupar, no período compreendido entre 2015 e 2018 cerca de 170 milhões de dólares norte-americanos, com a produção nacional de açúcar e etanol, escapando o país da importação dos referidos produtos, também isso sinais impulsionadores.
Na senda do que corporiza o parágrafo anterior, aliás, o texto todo, ganha capital importância a referência do despacho do ministro dos Transportes, por via do qual orientou a redução para metade, das comissões cobradas pelo Conselho Nacional de Carregadores (CNC), pelos serviços prestados no sub-sector marítimo - portuário.
Esta decisão do Governo terá um peso significativo na cadeia de comércio angolano, a considerar o facto de o país ser bastante dependente das importações, até de produtos da cesta básica alimentar.
De justiça, se antevê alguma redução nos preços dos produtos essenciais para a dieta humana, de sí pesados, por conta, dentre outros, dos custos de transportação e outros encargos aduaneiros e portuários.
Porém, estes sinais, por mais impulsionadores que sejam, só se vão efectivar caso os agentes directamente envolvidos elevarem o espírito patriótico, pautando a sua actuação sempre na direcção da manutenção da máxima de Agostinho Neto, segundo a qual “ O mais importante é resolver os problemas do povo”.
Entretanto, sendo pequenos ou fortes os sinais, o importante é compreender que todas as acções que têm sido ensaiadas pelo Governo são, por enquanto, hipóteses válidas na busca de resultados concretos que, apesar de tardar a chegar, devem ser tidos como impulsionadores e por eles ser disponibilizadas toda a colaboração possível e necessária.

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