Opinião

Sinais vitais da economia

Carlos Gomes | *

A analogia de um paciente que entra para o banco de urgência, com os sinais vitais descontrolados, cuja equipa médica tudo deve fazer, para o salvar, ajusta-se ao actual contexto macroeconómico do nosso país, a julgar pelo estado “doentio” em que se encontra.

Natural e prudentemente, antes de ser ministrado qualquer medicamento, o passo inicial recomendável é a estabilização do paciente, proceder ao diagnóstico, determinar ou estabelecer o prognóstico e só depois utilizar as doses julgadas necessárias à sua recuperação, monitorando o seu comportamento, até demonstrar sinais de equilíbrio e robustez, para que obtenha alta, permitindo-lhe o regresso ao convívio familiar e da sociedade.

Vale o presente raciocínio para que possamos compreender a trajectória da nossa economia, que ao longo da última década, por ter sobrevivido à base de “sedativos” (paliativos), em finais de 2014 o estado “convulsivo” irrompeu de tal (des)ordem, que sem surpresa para alguns, mesmo colhendo por espanto a maioria dos angolanos e não só, num ápice, o fictício “boom” económico, que parecíamos viver, foi irremediavelmente relegado para a cauda das economias menos desenvolvidas/subdesenvolvidas, ante a (inquestionável) justificativa de má gestão dos avultados recursos financeiros então disponíveis, provenientes exclusivamente do petróleo, que ao invés de produzirem riqueza “fabricaram” ricos ou endinheirados, que perigam hoje, com o seu pobre carácter, os nobres propósitos do Executivo, que a todo o custo se bate pela retomada da produção, enfrentando “crateras” sinuosas, demandando serenidade e mestria na sua abordagem, impondo solidariedade das “mentes brilhantes”, pelas implicações gravosas que podem advir do quadro latente e patente (não menosprezável) herdado...!!!
Para reposição dos sinais vitais desejáveis à nossa economia, não basta a postura simplista da crítica pela mera crítica... O momento é (ainda) sensível, requer sensatez técnica e responsabilidade profissional, para não desperdiçarmos a (última) tábua de salvação que nos resta, já que, pior do que estamos, “ninguém” certamente advoga o resvalamento para um quadro incerto, de incidências económicas e até mesmo políticas irreparáveis.
No que à economia diz respeito, as mentes “brilhantes” devem concentrar o seu foco, dentre outros,nos seguintes objectivos:
Estabilização do quadro macroeconómico: controlo da inflação para níveis compatíveis; reposição da confiança nas instituições públicas; maior liberdade económica com mais estado na regulação (somente necessária) e menos interventivo na execução; equilíbrio das contas externas; redução da despesa pública; consolidação fiscal sem asfixia das empresas; realização exitosa do processo gradual (incontornável) das privatizações – pelas razões atípicas que ditaram a criação de muitas empresas públicas ou participações financeiras; combate aos factores inibidores da atracção do investimento privado; melhoria do ambiente de negócios; aumento da produção e diversificação da economia... enfim, satisfazer, em última instância, cada vez mais e melhor, as necessidades básicas dos cidadãos, com a elevação do bem-estar das famílias.
É imperiosa a estabilização dos sinais vitais da economia angolana, protegendo e valorizando quem produz bens e serviços, cria emprego e paga impostos, como defendeu o Presidente da República no recente encontro com a classe empresarial, porque é dos empresários e empreendedores que depende a sobrevivência financeira do Estado. Sem eles, no sistema económico vigente, a intervenção do Estado seria inócua e não justificaria a sua existência.

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