Opinião

Sobreviver entre mortos

Luciano Rocha

Os coveiros são profissionais que, como quaisquer outros, deviam merecer o respeito que é devido a quem trabalha, pelo que brada aos céus que os de Luanda estejam há sete meses sem salários.

Os coveiros tratam dos mortos, mas estão vivos, comem, bebem, vestem-se, têm mulher, filhos e alguns deles outras pessoas a cargo. Em suma, mesmo passando grande parte do dia em cemitérios, não são seres de outro mundo. Espanta, por isso, que consigam sobreviver sem dinheiro, a não ser por graça e acção das almas, que é coisa em que não acredito, nem ninguém de bom senso.
Admira, por  isso, que responsável pela área tenha afirmado, com a maior das naturalidades, que a situação se deve a questões burocráticas e a outras ligadas à disponibilização de dinheiro pelo órgão competente.
O que eu pagava para ver o autor da tirada, digna de figurar nos anais do desplante, estar sete meses sem ver cor e cheiro daquilo do que lhe é pago apenas em mordomias saídas do erário.
O desplante do responsável era motivo de galhofa não fosse um insulto grave à dignidade humana. A merecer reacção imediata  de quem de direito. Porque há coisas que nem a brincar se dizem. Nem por ignorância, quanto mais insensatez. Há limites para tudo.

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