Opinião

“Terrorismo” com caneta à solta

Epinelas Mateus |*

Numa das habituais leituras dos jornais e portais sobre o cosmopolítico angolano e mundial, neste mundo que está em iminente guerra de proporções nucleares, biológicas e químicas,

Embocado pela protecção da Rússia à Síria e os EUA revestidos de mister Trump ávidos de dar um correctivo ao miúdo “revú” norte-coreano por andar na península aos frequentes lançamentos de “brinquedos mortais” e ameaçar dizimar os seus parceiros na região, saltou-me a necessidade de estratificar as guerras e o terrorismo. Para já, ainda bem que Angola está em paz há 15 anos, um feito que custou a vida a milhares de filhos desta Pátria, e por não haver registo de conflitos, uns tantos auto-explodem-se em fundamentalistas nas suas ideologias.
Como dizia o maior pensador de todos os tempos, o filósofo  René Descartes: “Não é suficiente ter o espírito bom, o principal é aplicá-lo bem. As maiores almas são capazes dos maiores vícios, tanto quanto das maiores virtudes, e os que andam muito lentamente podem avançar muito mais se seguirem sempre o caminho recto do que aqueles que correm e dele se distanciam”.
Rafael Marques pontifica no rol de “terrorristas” com caneta à solta, usando o seu MAKANGOLA para incitar à violência psicológica em tempos de paz contra a ordem estabelecida, proferindo muitas inverdades e ataques pessoais e às instituições soberanas sob a alegação de estar a praticar o activismo anticorporativista mas na realidade eivado de um indisfarçável revanchismo, frustrado por não ter alcançado algo ou por não ter sido aquilo que efectivamente desejaria ser.
Em anteriores artigos, remonto ao ano de 2006, quando só se tinham assinalado apenas quatro anos da cessação das hostilidades, Rafael Marques, certamente auxiliado pelos seus “amigos de lá” (Mário Crespo, Open Society, Freedom House, NDI, National Democratic Institute, Human Rigths, entre outros) e contra as expectativas dos angolanos, já apelava mesmo à reacção popular: “Essa reacção pode fazer emergir, das suas entranhas, novas lideranças, uma nova filosofia ou um impulso de ordenamento da sociedade e de justiça um tanto imprevisíveis. Quem sabe, ao certo, o que boa parte dos angolanos anda a matutar, como pensamento comum, sobre a realidade e os destinos do país?” – escrevia ele.
Pasme-se, volvida essa longa estratégia ínvia, as baterias do “defensor” dos autóctones viraram-se agora para o povo por, no âmbito do consagrado por Deus e plasmado universalmente a todo Homem, o livre arbítrio, exercer em democracia participativa o direito e o poder que o habilita a que ciclicamente legitime nas urnas um Governo.
Essa estratégia, baseada em desinformação, falta de contraditório, com efeitos psicológicos, ultrapassa largamente o círculo das suas principais vítimas, governantes e instituições, e começa em tempos de eleições a incidir no principal segmento da sociedade, os jovens, com um objectivo que sabe se afigura atroz e de consequências imprevisíveis a curto, médio e longo prazos, mas que desde já pretende comprometer a coesão social, abrindo, aqui sim, um perigoso precedente ao surgimento entre nós de terroristas na verdadeira asserção da palavra.
Nada é mais vil do que a desinformação. Segundo estudos, mesmo que alguém peça para as pessoas ignorarem uma informação errada, isso não apaga a ideia inicial que ela causou, porque “a nossa memória está constantemente a ligar-se a factos novos e antigos e a amarrar os diferentes aspectos de uma situação em conjunto, de modo que aproveitamos, ainda que inconscientemente, factos que sabemos serem errados para deles tomarmos decisões mais tarde”.
Em recentes diatribes, Rafael Marques apontara tudo sobre alguns projectos em curso que para não variar na visão do mesmo estão sob o escopo da corrupção, com realce para o Porto do Caio, omitindo no entanto a importância estratégica e o desenvolvimento que este vector trará a Cabinda e ao país, que se vai sustentar num modelo de construção, operação e transferência, no qual 85 por cento dos custos de capital são financiados pelo Estado, sendo os restantes 15 por cento reservados aos custos de desenvolvimento durante a fase de planeamento e os custos operacionais durante o período da concessão, financiados pelo concessionário.
Uma vez atingida a plena capacidade operacional, esta importante infra-estrutura marítima e de logística vai criar cerca de 30 mil empregos directos, indirectos e induzidos, reduzindo a taxa de desemprego de Cabinda para menos de 16 por cento, aumentando desta forma o seu PIB em 20 por cento. A nível nacional, o novo complexo portuário de águas profundas de Cabinda irá gerar receitas fiscais de 350 milhões de dólares por ano ao Estado. Para o cumprimento desta empreitada, Angola recorreu à Linha de Crédito da China, num montante avaliado em 710 milhões de dólares, enquanto 180 milhões serão garantidos por investidores no quadro das parcerias público-privadas agora em voga pelo mundo, não podendo ser diferente por aqui. 
Como ignorar, por exemplo, que para a imprescindível manutenção da flora existam projectos do Executivo que vão revolucionar completamente o sector madeireiro do país, reimplantando o polígono florestal a ser explorado para usufruto das futuras gerações, criando mais emprego, potenciando os empreendedores do ramo para a reactivação de indústrias da madeira, do papel e da celulose, bem como para o surgimento de outros tantos projectos, exportando o excedente para vários países da Europa e da América, numa fase de grande contenção económica e de premente necessidade para diversificação da economia?
No jornalismo existem padrões: informar com rigor, formar e entreter. O activismo  cívico também propõe-se a regras. Mas não compulso semelhança alguma desses padrões em Rafael Marques e no seu MAKANGOLA. Assim, impõe-se um veemente apelo à PGR para uma rigorosa investigação aos incitamentos à desarticulação da coesão interna e às denúncias feitas não só nas redes sociais mas também por pessoas anónimas sobre a promiscuidade na imprensa e no activismo cívico consubstanciada em “doações” provenientes de organizações nacionais e estrangeiras com fins inconfessos.
Angola vai a escrutínio pela quarta vez a 23 de Agosto próximo, uma oportunidade para o “nosso” investigador Rafael Marques decifrar os cifrões cabimentados aos partidos políticos nesta última legislatura de maneira a esclarecer os cidadãos aptos ao voto e à sociedade em geral que formação melhor apresentou as suas contas para a necessária transparência no uso dos dinheiros públicos, informando com rigor os contribuintes sobre os impostos tributados aos seus rendimentos para a manutenção do naipe de forças políticas que reforçam a democracia, sem que o faça com o desprimor e a petulância que o caracterizam.

(*) Jornalista e Analista Político-Social

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