Opinião

Um olhar (contemplativo?) de dentro...

Justino Esperança

De repente, da varanda do quarto onde se está, em quarentena institucional, desde noite adentro de sexta-feira última (24), facilmente se conclui que este verdadeiro isolamento seguramente tem custos elevados ao erário.


Com muito pouco para fazer, para não extremar e dizer sem absolutamente nada para fazer.
Nem vale a pena entrar na discussão/debate do mérito, pertinência e oportunidade da dita quarentena institucional. Estamos nela e ponto.

Tudo por culpa da Covid-19. Ou “através” da mesma dita cuja. No feminino. Mas, sobrevivam os especialistas da língua, para resolverem a questão do género da doença!
As refeições estão a ser servidas. Satisfazem todos os gostos? Evidentemente que não, mais ainda quando chegam frias, incluindo a sopa.
É variado o menu? Em quatro dias, até já veio pescada frita, com feijão preto e massa esparguete!
Mas, o que mais importa: quando serão feitos exames/testes? Segundo a ministra Sílvia será quinta ou sexta-feira, mas disse isso no CIAM. Nos locais de quarentena, se calhar a comunicação chega melhor do que a partir do CIAM. Porque, quem sabe, fazer deslizar um aviso em baixo da porta de cada quarto, não só dá muito serviço, como pode elevar os gastos e há que racionalizar nas despesas...

E do CIAM, ouve a ministra quem tiver, como alguns, um “kiberrita” a pilhas, porque, pela televisão, é um “luxo” que alguns vão desfrutar quando saírem da quarentena. Não entenderam? Alguns, largas dezenas de pessoas, estão em locais sem televisão!
Mas, felizmente, na equipa médica do INEMA tem também psicólogos.
O que se faz então? Os temperados nas muitas lições de vida, que a pátria amada foi ensinando, ao longo dos tempos, vieram de Portugal com um habitual kit de sobrevivência que inclui também livros.
Não se deve alinhar sempre na “quadra” dos bota-abaixo. Antes pensar que, quem nos dirige tem e continua com a humildade e a modéstia de ouvir, para corrigir e melhorar...

Assim sendo, querendo melhorar basta que, mande informar o que vai acontecer, nos próximos dias.
Não basta ouvir-se tocarem a porta, para a entrega do pequeno-almoço, almoço e jantar. E não esperem queixa quanto à comida: se fria ou não! Todos sabemos que pode ser servida quente e não deve custar mais nada à Comissão! Úlceras, gastrites, etc, fica para depois...
Muito menos reclamar das condições de alojamento, antes pelo contrário. Seria, até, uma injustiça!
Apenas, comunicação: o que é que vai acontecer a seguir, amanhã e depois. Serão sete, dez, vinte dias de quarentena? Os testes? Ainda em Julho ou já este Agosto?
E como também vai havendo e dando o ar da sua graça os nossos inseparáveis “mirages” mosquitos, com os seus voos rasantes, não há risco de paludismo?

A Covid a tudo obriga, estamos de acordo. E a todos envolve e deve engajar. Então, os “quarentados” não têm sarna, não são uma espécie mutante da Covid... São, simplesmente, cidadãos sob suspeita de, ou esperando oportunidade de serem “ilibados” da suspeita!!!
Façam circular a informação, por favor!

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