Opinião

Um reconhecimento aos esforços de consolidação da democracia

Eduardo Magalhães | *

É muito árduo o caminho da maioria dos países africanos para o reconhecimento internacional dentro de critérios globais de democracia, respeito aos direitos humanos e ao Estado de Direito.

A história do nosso continente é marcada pelo período colonial que drenou recursos materiais e humanos, lutas de libertação, em regra sangrentas, e reconstrução sofrida no quadro dos sacolejos da geopolítica internacional e conflitos internos. Aos poucos, jovens democracias têm-se consolidado, redesenhando o mapa traçado à régua pelos europeus.
Não foram raros os casos de países que emergiram da libertação cindidos por diferenças políticas, religiosas ou tribais que geraram conflitos, vencedores e regimes mantidos por força das armas, de cariz autoritário, abrindo espaço para nepotismo e corrupção. Assim a África é vista e entendida nos centros desenvolvidos, reflectida no ambiente de negócios e na cultura, por meio dos artigos de opinião, livros, documentários e filmes que aqui se passam.
A avaliação internacional é fundamental para que países africanos passem a fazer parte de ambientes globais de negócios, onde transitam os capitais, investimentos, apoios não governamentais, fluxos turísticos e de tecnologia de informação. São insumos essenciais à vida e ao desenvolvimento das nações.
É neste contexto que há que se valorizar a inclusão de Angola entre os países abrangidos pelos estudos de opinião sobre democracia e governação realizados pelo consórcio Afrobarómetro. Esta organização não governamental é reconhecida mundialmente como o principal projecto de pesquisa sobre os temas que afectam a vida dos africanos.
Para fazer parte destas pesquisas que escrutinam a opinião dos habitantes sobre os regimes e as instituições como a polícia, as autoridades tradicionais, os políticos e os governantes, o Afrobarómetro estabelece condições mínimas de liberdade de expressão, ambiente democrático e critérios de governação credível nos parâmetros internacionais.
É um reconhecimento importante dos esforços de reformas estruturais em curso que o país está a implementar, num ambiente em que imperavam a corrupção, a ausência de práticas democráticas e restrições à liberdade de expressão. Um prémio de referência internacional para menos de dois anos do actual ciclo político.
A partir de agora e periodicamente, os angolanos serão ouvidos sobre vários assuntos e as suas opiniões poderão ser debatidas internamente e comparadas com outros 37 países do continente que preenchem os critérios do Afrobarómetro. Estas informações circulam globalmente nos meios académicos, políticos e financeiros e dão um retrato mais preciso, credível e actualizado do nosso país para o mundo.
Uma empresa criada em Angola por quatro jovens profissionais, apoiada por consultores internacionais, será responsável pela primeira pesquisa de opinião com a chancela de qualidade do Afrobarómetro. Serão ouvidos angolanos de todas as províncias por meio de entrevistas presenciais feitas em português ou línguas nacionais. Jovens estudantes angolanos serão recrutados como pesquisadores, relançando também um mercado profissional cada vez mais solicitado pelas novas tecnologias digitais.
Para além do reconhecimento pela inclusão de Angola no clube dos países reconhecidos como democráticos e respeitadores dos direitos humanos e da liberdade de expressão, é esperado que a sociedade esteja atenta aos resultados e que o Executivo use estes números para melhorar cada vez mais a governação com a concretização das metas económicas e sociais. Além de um desafio, é também uma oportunidade preciosa para que as autoridades aperfeiçoem o seu conhecimento sobre o próprio país, estabeleçam relações mais próximas, abertas, transparentes e democráticas com os cidadãos em todas as esferas de governação. Estes retratos em dados do nosso país devem trazer como benefício novas e mais informadas demandas dos cidadãos e renovadas e mais actualizadas atitudes e pensamentos entre os que têm nas mãos a capacidade para decidir o futuro do nosso país.
Devemos valorizar mais esta nova ferramenta de apoio à democratização de Angola e do seu reconhecimento aos olhos de todo o planeta.

* Director Nacional de Comunicação Institucional. A sua opinião não engaja o MCS

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