Opinião

Um falso problema de falta de qualidade

Honorato Silva

A falta de qualidade é um argumento usado de forma recorrente, como principal causa da fraca adesão dos adeptos aos recintos desportivos localizados em Luanda, com particular destaque para o Estádio Nacional 11 de Novembro e o Pavilhão Multiusos do Kilamba.

Mas isso não passa de um falso problema, se levarmos em conta o facto desta insipiência ser assacada ao futebol, quando o andebol e o basquetebol, modalidades nas quais Angola dá cartas em África e no mundo, também experimentam o fenómeno das “bancadas vazias”, uma espécie de público moderno, que “galvaniza”os nossos desportistas.
Pode parecer preocupação de somenos, porque entretenimento tem de sobra na televisão por satélite, que traz às nossas casas o melhor do futebol europeu e mundial, dando de quebras resumos e “enlatados” das maravilhas protagonizadas pelas estrelas do basquetebol americano, agora que a NBA virou um exclusivo de quem tem internet com boa força de sinal.
O problema, como disse noutras abordagens, é muito mais profundo. Por isso, deixa de fazer sentido o cruzar de braços do Ministério da Juventude e Desportos (Minjud), neste descaso apoiado pelas federações e associações provinciais, porque o primeiro objectivo perseguido por um atleta é o reconhecimento da comunidade, o grande público, através do alcance de níveis de excelência.
É de facto redutor e minimalista pendurar-se na falta de qualidade para justificar o êxodo do público dos recintos desportivos, em relação ao futebol, já que o andebol e o basquetebol praticados em Angola continuam a ser dos melhores no continente, e passam igualmente pelo desconforto de não ter o calor dos adeptos na proporção desejada e considerada normal.
A identificação das causas e, a seguir, a receita para a cura de tão grande mal passam por um amplo debate, liderado, caso saia da redoma, pelo Minjud, em coordenação com as federações, associações e clubes desportivos, sem deixar de parte sectores chaves como os da Comunicação Social, Transportes e Ordem Pública (Ministério do Interior), auxiliados por sociólogos, arquitectos, psicólogos e especialistas em marketing, esses encarregues de aconselhar os diferentes actores do desporto a uma visão correcta do mercado. O preocupante afastamento do público pede muito mais que abordagens esporádicas em jornais, bem como em programas de rádio e televisão.

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