Opinião

Uma marca que nos une

Osvaldo Gonçalves

Hoje, será, para muitos, difícil perceber o espírito dos verdadeiros cabouqueiros do Jornalismo angolano do pós-independência, seja na rádio, na televisão e, sobretudo, na imprensa. É assim difícil explicar como e porquê, a 26 de Junho de 1976, por ordem de Agostinho Neto, foi confiscada a Empresa Gráfica de Angola, SARL, proprietária do Jornal e Angola, então dirigido por um conselho de redacção, seguindo uma tentativa de resgate da cidadania, após largos anos sob o nome “A Província de Angola”, publicação criada em 1923 como semanário e tornada diário três anos depois, em 1926.

Se “A Província de -” foi pioneira na industrialização do Jornalismo em Angola, o Jornal de Angola afirmou-se durante longos anos como uma verdadeira escola da profissão no País, seguindo uma política de formação "on job" de que resultaram muitos quadros capazes, alguns dos quais são hoje referenciados na Comunicação Social angolana.
Nestes dias, torna-se de alguma forma natural falar-se do Jornal de Angola e da empresa-mãe, a Edições Novembro, EP, esquecendo-se o caminho percorrido para se chegar até aqui. Podem fazê-lo os no-vos profissionais da casa, tomados pelas condições de trabalho agora existentes, mas dificilmente tal acontecerá com alguns dos mais antigos.
Fácil é acusar de saudosismo quem refira nomes como os de Mário Guerra, David Mestre, Manuel Dionísio, Orlando Bento, Mário Campos, Pires Ferreira, Paulo Pinha, Jorge Airosa ou do incontornável Armando Kangrima, mas a prova está na qualidade do texto produzido.
Às vezes, dá vontade de rir diante de certas evocações à chamada “lei da rolha” ou a uma hipotética “censura” por parte de quem, ou aprendeu a escrever agora, na Era das redes sociais, ou se recolheu com armas e bagagens para outras latitudes.
Na mesma forma que a “rolha” não impede a goteira, o “censurador” jamais conseguirá parar a poesia e a crónica, simplesmente porque não lhe pode alcançar. E o Jornal de Angola, além de espaços para isso, deu origem a novas publicações, todas sob a batuta da Edições Novembro, EP. Elas estão aí na rua, cada uma com identidade própria, feitas por gente que, sem parecer, pertence a uma mesma família. Tudo pela busca da isenção e do interesse público.
Para nós, se for preciso criar uma marca, ela será Jornal de Angola.

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