Opinião

Uma cidade feita à pressa

Luciano Rocha

Luanda foi a cidade que, em determinados aspectos, mais caro pagou os efeitos das guerras que o país foi obrigado a travar para se manter com as fronteiras que tem.

A capital foi, naturalmente, quem recebeu os foragidos das invasões e guerras fratricida que cobriram o país, de uma ponta a outra, com mantos de medo, lágrimas, sangue e luto. Era em Luanda, apesar das dificuldades que ela própria vivia, que eles procuravam a paz possível.
Luanda jamais regateou solidariedade. Encolheu e aumentou espaços para os acolher. Repartiu o que tinha. Se não tinha, inventava. Sem pedir nada em troca. Aceitou as diferenças. Quando a paz conquistada chegou, festejou. Sem esperar, quanto mais exigir, a devolução de espaços ocupados, árvores abatidas, caminhos alterados. Como mãe, continuou de braços abertos a todos, a abraçá-los como filhos. Regozijou-se, quando se viu crescer. Na esperança de ter, finalmente, algum descanso. Enganou-se. A pressa de a tornar grande impôs-lhe espartilhos. O frenesim de a “reconstruir” à imagem de outras capitais sufocou-a. O gosto  pequeno burguês apoderou-se dela. Até já lhe privatizam espaços públicos. Que deviam ser de todos. Até quando?

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