Opinião

Uma nova era na indústria criativa africana e angolana

Eduardo Magalhães | *

Acompanhamos na última semana o lançamento de uma iniciativa de investimento social pan-africana destinado a impulsionar e desenvolver nos países africanos, a indústria cinematográfica e televisiva com a chancela da Multichoice África, distribuidora de serviços audiovisuais.

Segundo os autores do projecto, a ideia é promover, por via da criação de valor partilhado, usando os seus principais recursos, pessoas, competências e rede de empresas para gerar uma mudança positiva na sociedade que traga benefícios para a empresa e a sociedade. Apostando numa componente formativa notável, destacamos um programa educacional de 12 meses destinado a desenvolver 60 jovens talentos merecedores, com vocação para trabalhar na produção de filmes e televisão.
Num momento em que os conteúdos assumem um valor estratégico cada vez mais decisivo num contexto de acelerada evolução das redes tecnológicas, é claramente o começo de uma nova era na indústria criativa africana e angolana, em particular, que, numa perspectiva de investimento social, pretende impulsionar e desenvolver um mercado de audiovisual de conteúdos locais, para que as plataformas não distribuam apenas conteúdos internacionais.
O Ministério da Comunicação Social vai continuar a encorajar, incentivar e promover outras iniciativas para criar um verdadeiro mercado local de audiovisual com o objectivo de fazer fortalecer e gerar empregos, de modo a atender a demanda, sobretudo de jovens recentemente formados nos cursos de Comunicação nas diferentes universidades do país.
A iniciativa privada existe e pode ser útil para suportar a demanda e sustentar esse mercado. Por essa razão as plataformas de televisão que operam em Angola podem contribuir para expandir o mercado local de produção audiovisual. O Ministério da Comunicação Social já anunciou que, ainda este ano, serão tomadas medidas para promover a participação da iniciativa privada ao nível da produção de conteúdos audiovisuais por parte das produtoras nacionais.
Nesta realidade que decorre ainda do carácter transnacional das emissões televisivas e cinematográficas, da crescente presença de multinacionais no capital das empresas que suportam as plataformas televisivas e do acesso cada dia mais fácil e relativamente barato aos produtos musicais e audiovisuais estrangeiros, é urgente começar a corporizar a produção de conteúdos locais que possam promover a cultura nacional e os valores da identidade nacional, respeitando padrões exigentes de qualidade em termos de estética, conteúdos e tecnológicos que possam fomentar o conhecimento e sensível à modernidade.
Pretende-se com estas medidas favorecer a afirmação de um sector nacional de televisão e vídeo competitivo, valorizador das diversidades cultural e linguística nacionais.
A aposta neste sector é também uma forma de Angola investir na criação de uma indústria cinematográfica e televisiva própria; fazer surgir um mercado dinâmico capaz de absorver talentos e empregar mão-de-obra diversa, porque afinal são várias as valências que serão chamadas a dar o seu melhor para manter e dar vida a esse mundo de negócios que, noutras paragens, também representa uma fonte de receitas e contribui para a projecção social e cultural dos respectivos países.
Diversificar a economia é, também, olhar para esse segmento de mercado e explorar as potencialidades nacionais que, sabemos, existem, mas que aguardam por uma oportunidade devidamente amparada em projectos sustentáveis a longo prazo.
Precisamos de ter, de forma regular, várias produções cinematográficas e de conteúdos televisivos que sejam atractivos, satisfaçam o público e induzam nele um comportamento qualitativamente melhor.

* Director de Comunicação Institucional. A sua opinião não engaja o Ministério da Comunicação Social

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia