Opinião

Zangaram-se dos meus milagres

Manuel Rui

Santo Agostinho viveu entre 354 e 430. Destacado escritor, bispo e teólogo cristão do norte de África durante o domínio romano. Nasceu em Tagarote, na cidade de Numídia (hoje Argélia).

A maior parte dos crentes não sabe que Sto. Agostinho é Africano da mesma forma que os ocidentais pintaram de branco Cleópatra. Na sua obra “Confissões” Agostinho escreve: “A VERDADE E DEUS DEVEM SER BUSCADOS NA ALMA E NÃO NO MUNDO EXTERIOR.”
Isto é importante para distinguir seita de religião. Simplificando, seita significa seguidor, religião é o ideário de um grupo que busca um elo com uma ou mais divindades (monoteísmo ou politeísmo) para uma explicação sobrenatural do mundo. A fé, a crença, como reeleição de um guia divino como religar, ligar novamente o elo rompido entre o homem e Deus a partir do pecado original.
O cristianismo tem a sua história com destaque para Lutero e as igrejas cristãs protestantes. Todavia são igrejas que com a Católica conseguem realizar cultos ecuménicos.
Eu escrevi para Saidy Mingas, este epigrama: “Foi mesmo castigo de Deus/eram todos religiosos/e faziam-se passar por ateus.”
Foi num tempo de “horas difíceis” que um grupo de brasileiros altruístas chegaram a Portugal e, em Lisboa, compraram um edifício icónico, o cinema Monumental e transformaram-no num templo. Na cidade do Porto eram corridos à pancadas. E em Angola lograram um espaço privilegiado na Avenida Gica (quase em insulto ao herói).
E começaram os milagres do copo de água. Nada como os milagres raros da Senhora de Fátima ou da Senhora da Muxima. E, ao contrário de Sto. Agostinho, tudo virado para o exterior, o materialismo, a riqueza, com o suporte ilegítimo da bíblia. Falei em altruísmo de manha pois se o Brasil tem tanta gente pobre a precisar de comida como é que vinham para Angola fazer milagres que dão casa e carro e emprego…e, no entanto, os pastores e bispos tomam fármacos… não se tratam com milagres. Em Angola passávamos por uma tempestade com presos por delitos de opinião a serem torturados e nenhum beneficiou da casa dos milagres. Os marxistas de anteontem que afinal eram religiosos como o ex-Presidente Dos Santos que acabou casando pela igreja, por mor do dinheiro, abriram as portas da comunicação social onde os milagreiros apresentavam suas liturgias. Na base disto tudo: dinheiro. Uma jovem filha de um vizinho meu foi trabalhar no meu escritório, rapou 3 mil dólares. Demandei a família. Tinha dado o dinheiro ao templo e desaparecido. Em Joanesburgo, o meu motorista português desabafava-me que a mulher foi-lhe à conta, rapou o dinheiro para dar aos milagreiros.
Um cidadão quer um bocado de terra e nunca mais. Isso já se passou comigo. Mas para os milagreiros há terrenos que chega e templos por todo lado. Curioso é que uma parte dos frequentadores desses templos são católicos que vão em busca dos milagres que são apresentados na televisão.
Claro que a bíblia não manda esterilizar pastores ou bispos que continuam com ereção e assim seduzirem jovens sem risco de gravidez. Não podem fazer filhos contrariando a bíblia que logo no princípio diz “crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra”.
Porque não é lido isto nos xinguilamentos que fazem na televisão?
Agora os pastores angolanos (oficiais de segunda linha) fazem uma revolução. Gente que fala brasileiro na rádio e na televisão para mais credibilidade. E o problema é a propriedade, o dinheiro dos dízimos com que uma parte do nosso povo é enganado quando não fazem milagres para a cura da pandemia nem do paludismo… ao menos na nossa tradição (a que os falsos marxistas chamaram de práticas pré-científicas) há quem amarra e desamarra a chuva.
Durante as guerras, no mato, era nas missões católicas e protestantes que o povo se refugiava, homens, mulheres e crianças tinham comida e água sem pagarem dízimos. Houve clérigos que ocultaram nacionalistas sem pagamento de dízimo.
Por uma questão de pudor não refiro o chefe dos milagreiros. E como isto anda tudo ligado também não refiro o político brasileiro que interpelou Angola a propósito do conflito entre milagreiros que não conseguem um milagre para decidir o litígio. Não sei de quem é a propriedade, se pagam impostos e se e como conseguem colocar divisas lá fora. Era tão simples voltarem ao Brasil que tanto precisa de milagres. Mesmo com indemnização por subscrição popular que eu entro já. E os pastores angolanos deixarem de falar brasileiro, pouca vergonha de alienação com tanto gado para pastar e servir o povo…

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