Opinião

Abordagem policial

Em tempos, foi tornado público um comunicado da Polícia Nacional a dar conta da proibição de os agentes reguladores interpelarem em simultâneo mais do que um automobilista.

Na altura, muitos tinham encarado como a mais sensata medida tomada pela corporação, inclusive por razões éticas e deontológicas atendendo que não é aconselhável falar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Na verdade, essa atitude de numerosos agentes configurava uma falta de respeito a muitos automobilistas porque, muitas vezes, eram “forçados” a esperar pelo agente até que se desembaraçasse do automobilista que estivesse a ser alvo da sua interpelação. Passado algum tempo, eis que a prática, afinal, não desapareceu de todo do dia-a-dia de numerosos agentes reguladores. Em determinadas vias, sobretudo onde decorrem as chamadas “operações”, tem sido visível a prática de imobilizar vários automobilistas para que cada um seja interpelado. É muito tempo que se perde, constitui uma falta de respeito e não é admissível que um só agente dê ordem de paragem a várias viaturas. Essa situação, como sucede, tem provocado o caos automobilístico na medida em que o “afunilamento” de vários carros complica o trânsito normal. Espero que a Polícia Nacional seja capaz de inverter esta e outras situações menos boas que acabam por manchar todo um trabalho de referência que a corporação pretende realizar em nome da ordem, segurança e tranquilidade públicas.

ANTÓNIO NETO
Samba


Desmatamento e impunidade
A visão míope de muitos colaboradores do Governo Bolsonaro sobre a climatologia e o ambiente coloca os interesses económicos do Brasil na direcção do abismo. Observa-se um grande esforço em libertar os agrotóxicos, sabotar a punição de desmatamento e negar as mudanças climáticas, e tudo sem nenhuma base científica e económica. É claro que os consumidores da Europa já mostram a sua rejeição através do boicote a produtos de origem brasileira. O mais recente movimento do ministro do Meio Ambiente foi atacar o monitoramento do desmatamento feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) como responsável pela ineficácia no combate ao desmatamento e anunciar que quer contratar uma empresa privada por sete milhões de reais. Para piorar a desconfiança, a imprensa divulgou que o ministro foi condenado em primeira instância, por improbidade administrativa, quando era secretário estadual do Meio Ambiente em São Paulo.
O INPE nem precisou contestar e a própria imprensa mostrou que, do começo do ano até 15 de Maio, o INPE enviara aos órgãos de fiscalização ambiental 3.860 alertas de desmatamento através do Deter-B, Detecção do Desmatamento na Amazónia Legal em Tempo Real, ou seja 28,6 alertas por dia. Já a fiscalização do Ibama fez somente 850 autuações, ou seja 6,2 por dia. O que se conclui que querem detectar menos, só pode ser isso!
Como se não bastasse, no INPE entrou em funcionamento um novo monitoramento de desmatamento, que não custa nada para o erário, é o MapBiomas, iniciativa de diversas ONG, universidades e empresas de tecnologia para mapear o uso da terra, com um custo de 13,6 milhões de reais por ano e financiado principalmente pelo Governo norueguês, pela Fundação Moore (EUA) e pelo Instituto Arapyaú.

MÁRIO SATURNO
Brasília

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