Opinião

Actos de xenofobia

Já muito correram pelas redes sociais as informações sobre os actos de xenofobia na África, afectando sobretudo imigrantes originários da República da Nigéria.

Trata-se de uma mensagem negativa que todos nós como africanos enviamos ao mundo, numa altura em que os níveis de discriminação e racismo tendem a subir. Os africanos têm sido os mais afectados com a onda de racismo, razão pela qual deviam ser mais unidos e mais "irmanados", dentro e fora do continente. Na verdade, os nigerianos têm todas as razões para se sentirem ultrajados com as cenas que sucederam na África do Sul, envolvendo a sua comunidade. Afinal, entre os países africanos e fora da região da SADC, o país de Nandi Azikiwe muito fez nos esforços de luta contra o regime do Apartheid. Lembro das palavras célebres do Presidente Murtala Ramat Mohammed segundo as quais "quando ouvia falar em Apartheid, o seu coração sangrava", numa alusão à fúria que lhe causava a existência daquele regime. A Nigéria dedicou recursos para lutar contra o Apartheid que, se calhar, serviriam para resolver os problemas dos seus cidadãos. Em todo o caso, parece que vale a pena abordar um bocado as razões que levam os sul-africanos a embarcar nestes actos vergonhosos e que, provavelmente, ajudariam a fazer um desconto. Os sul-africanos, sobretudo aqueles que viveram durante o regime de minoria branca, sofreram muito durante o Apartheid e muitos trazem traumas que, em condições normais, careceriam de uma terapia. A sociedade sul-africana parece estar a precisar de uma terapia de choque geral para que a mesma entenda de uma vez por todas que não são os estrangeiros que "roubam" os empregos aos seus nacionais. O problema foi também a forma como os negociadores do processo de transição, entre eles o actual Presidente, procederam para sair do Apartheid ao regime de democracia, liderada pela maioria negra. No fundo, na África do Sul terminou o "Apartheid político", enquanto que o económico continua a prevalecer, levando os negros na sua maioria a contentarem-se com a actual situação. Mas acho que o ANC deve fazer mais para que a chamada geração "Born Free", os nascidos depois de 1994, não venham amanhã protagonizar o mesmo que os mais velhos fazem hoje.
Priscila de Carvalho | Petrangol 

 

Governo da RDC
Há dias, fiquei surpreso pela manchete da revista semanal Jeune Afrique, editada em Paris, em que aparecia na capa a foto do Presidente da República Democrática do Congo (RDC), com o título seguinte "Um Governo ingovernável". A alusão parecia fazer referência ao peso que o antigo Presidente tem ainda com a sua maioria parlamentar, com a nomeação de ministros chaves num Governo liderado por Félix Tshisekedi. Segundo o conteúdo, parece existirem muitas dúvidas quanto a viabilidade do actual Governo do primeiro-ministro, Silvestre Illunga, numa altura que muitas vozes alegam que o mais importante na RDC é a estabilidade, a paz, a reconciliação. As críticas sobre a viabilidade ou não do Governo devem esperar pelo andamento e fim da actual legislatura para fazer o seu balanço. Enquanto o Governo tiver pernas para andar e ir resolvendo os problemas do povo, não se pode dizer que a RDC tem um Governo bicéfalo. Para terminar, como angolano que augura um bom desempenho ao actual Governo, endereço as palavras de felicitação a todos os congoleses na expectativa de que tudo corra bem.

Artur Gonçalves| Bairro Operário

 

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