Opinião

Canalização de água

O consumo de água constitui um indicador importante sobre a qualidade de vida das populações e a sua ausência ou a sua precariedade, em sentido contrário, prova exactamente o oposto. Por isso, é que se diz que a qualidade de vida começa ou passa invariavelmente pelo acesso e consumo de água potável.


Concordo absolutamente com esta visão na medida em que os mais velhos, inclusive, variadas vezes defendem que "água é vida". Penso que é com base nesta estratégia que o Governo angolano promove uma campanha de ligações domiciliárias de canalização de água em todas as comunidades. Trata-se de um processo que começou há algum tempo, mas sem a devida campanha de preparação das pessoas para o actual quadro em que entramos. Primeiro, julgo que as famílias deviam estar devidamente preparadas para ter água em casa porque ainda hoje é visível em muitas comunidades o desperdício de água como consequência da incúria e negligência ao deixar a torneira aberta. Segundo, as famílias habituam-se a ter água em casa, logo, toda e qualquer situação que condiciona o contínuo fornecimento de água deve ser sempre precedido de aviso para a preparação atempada das famílias. Em terceiro lugar e para terminar, nesta linha de pensamento, julgo que tarda demasiado o passo mais importante a seguir à ligação domiciliar de água potável nas comunidades. Depois de milhares de famílias ter água a partir de casa, julgo que o Estado está a perder muito tempo ao retardar os contratos. Em muitos bairros, há mais de um ano que as famílias consomem água sem pagar por falta de contratos. Não é concebível sob nenhuma perspectiva e sobremaneira quando se ouvem situações em que as famílias comercializam a água que não pagam ao Estado. Estas e outras situações devem chegar à mesa dos decisores públicos para que seja urgente a tomada de medidas. Precisamos todos de cumprir com as nossas responsabilidades, inclusive na hora do consumo de água. Para terminar, julgo que é importante que as entidades responsáveis pelo fornecimento de água façam o maior esforço no sentido de assegurar que as famílias usufruam deste precioso líquido. Quer através de ligações nos domicílios, quer com a construção de chafarizes. Esta última pode ser uma alternativa à inexistência de daquela primeira. Mas não basta instalar os sistemas de canalização se depois as famílias passarem a ter as torneiras como um objecto de ornamentação, feito um mosaico ou mesmo uma trave. É preciso que a água jorre nas torneiras e que as populações consigam planear as suas vidas também em função da água que recebem, em vez de fazerem contas com a áhua fornecida pelas cisternas ou “kupapatas”.
Augusto Miranda|Zango IV


Nações Unidas
Escrevo sobre as reformas na ONU. Já passaram pela organização das Nações Unidas várias propostas. Acho que o maior empecilho às reformas tem sido a posição assumida pelos países membros permanentes do Conselho de Segurança, que não estão dispostos a abrir mão dos seus privilégios. E acho que tudo se complica ao nível do Conselho de Segurança, onde não me parece que as potências com poder de veto venham a desfazer-se de parte dos privilégios de que gozam. Em todo o caso, tratando-se de um processo normal e lento de reformas, podemos esperar que tudo ocorra com normalidade e naturalidade.
Alexandre Kitumba|Malanje

Tempo

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