Opinião

Cartas do Leitor

A maka de terreno Tenho Escrevo para o Jornal de Angola para falar sobre os anúncios de venda de terrenos que sucedem com uma velocidade inversamente proporcional à existência de reservas fundiárias que sustentariam essas publicidades.

Um olhar atento daria para concluir que Luanda não tem tanto espaço vago que levaria uma legião de "vendedores de terrenos" a anunciar venda e, em segundo lugar, que esses anúncios só podem configurar em muitos casos manifestação de venda dos mesmos terrenos. Se não há tantos terrenos em Luanda é porque muitos desses terrenos são vendidos pelas mesmas pessoas a diferentes compradores. Logo, quem tem um pouco de juízo pode evitar problemas que se apresentam logo à partida.

Pedro Cravalho
Samba

O estupro de mulheres

Sou brasileira, residente em Angola e permitam-me escrever sobre a experiência de estupro de mulheres indígenas. O estupro foi um crime que sempre foi silenciado pelo machismo, pela vergonha da vítima ou pela falta de estrutura organizacional para acolher as vítimas dessa crime hediondo e cruel. Em algumas sociedades, a exemplo da Índia, o estupro se tornou um instrumento institucionalizado. Nas culturas orientais, os estupros são consumados de forma colectiva como punição por uma suposta transgressão da mulher ou de um membro da família.
A discussão aqui será o estupro praticado contra as nativas, a vergonha e a falta de política que minimizem o índice cada vez maior dessa barbaridade. A sociedade indígena de maneira geral em seu local de origem étnica costuma viver despida ou semidespida sem que isso represente nenhum atentado a convenções ou à violência.
Índias e índios ficam assim para terem maior liberdade, não têm a intenção de suscitar sentimentos libidinosos (de maneira geral, lógico que como em qualquer lugar existem as excepções). É algo natural como os não índios andar vestidos. Durante o Brasil colonial o corpo feminino servia ao português sem o consentimento da mulher, pois os estupros eram comuns naquele tempo. Ribeiro em sua obra (2008) narra o estupro ocorrido com milhares de mulheres indígenas, constituindo assim:
"As indígenas foram “utilizadas” pelos portugueses tanto para a sua satisfação sexual como para a expansão do “cunhadismo”. Ou seja, quando o português engravidava uma indígena, ele tornava-se parente dos outros indígenas da tribo. Com isso, tinha sempre muitos braços para carregar o pau-brasil para suas naus, aumentando rapidamente seu enriquecimento."
O corpo da mulher nativa era usado, sem afectividade ou preocupação de estarem-nas machucando. A História do Brasil não tem manifestação clara sobre essa situação de degradação feminina, tampouco sobre os sentimentos dessas mulheres, sua indignação pela violência praticada contra o seu corpo e a sua cultura.
Durante esses longos anos de apropriação da terra pelo “nabé" português, é possível dizer que essas mazelas provocaram grandes perdas no aspecto étnico e cultural das nativas.
Imagine o choro silencioso dessas mulheres que não entendiam porque eram vítimas da brutalidade de homens barbudos e fétidos.

Édima Rodrigues
São Paulo

 

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