Opinião

Cartas dos Leitores

Crimes na família  

Escrevo para falar com tristeza sobre o que se passa com as nossas famílias, numa altura em que alguns dos crimes mais hediondos são infelizmente cometidos no seio familiar. Ao contrário do que seria de esperar, mulheres, velhos e crianças que deviam encontrar maior protecção no seio familiar acabam por estar mais expostos à criminalidade. Acho que a colaboração com a Polícia Nacional deve intensificar-se para que as queixas a partir da vizinhança se efectivem com a rapidez que permita salvar vidas. Há dias, um sociólogo defendeu que as famílias devem estar mais vigilantes para tomarem decisões perante situações ou sinais que revelem tendências para a violência. Uma relação caracterizada por actos de violência não pode ser tolerada sob nenhum pretexto. 

Alda Guimarães, Vila Clotilde 

 

Implementação do IVA 

O processo que vai levar à implementação do Imposto de Valor Acrescentado (IVA) continua a dividir pessoas entendidas e, se calhar, pior para aquelas pessoas que, como eu, nada entendem sobre esse imposto. Escrevo como leigo na matéria e com a expectativa de que os peritos que estudaram e pretendem ver implementado esse imposto em Angola tenham plena consciência sobre as implicações e eventuais efeitos negativos do mesmo. Não vale a pena estarmos a copiar textos normativos de países que tenham o referido imposto apenas porque temos que o ter também aqui e sem criarmos as condições elementares para o funcionamento do IVA. Uma das coisas que oiço permanentemente dos economistas e estudiosos que entendem alguma coisa sobre esse imposto é que os processos que estão a levar à sua eventual implementação em Junho deste ano é a desorganização contabilística das nossas empresas. Pretendem essas personalidades que entendem alguma coisa sobre o IVA que se estendam mais os prazos para implementarmos esse imposto, atendendo que precisamos ainda de limar muitas arestas. É preciso que os formuladores de política económica e aqueles que decidem escutem não apenas os técnicos da AGT que trabalham arduamente para a implementação do IVA, mas que escutem igualmente as vozes que, fundamentadamente, defendem uma melhor revisão da legislação. Diz-se que  a legislação que vai reger a implementação do IVA foi um “copy e paste” das normas portuguesas, o que pode configurar um grande erro na medida em que as especificidades portuguesas não têm semelhança com Angola. Tal como já se tinha adiado a implementação do início do ano para daqui a seis meses, não custa nada voltar a repensar um eventual adiamento, porque é muito provável que não tenhamos ainda todas as condições criadas. Para terminar, gostaria que os técnicos que trabalham para a implementação do IVA sejam capazes de ouvir também o que os outros técnicos, que contrariam a implementação agora, têm como argumentos válidos. 

Aurélio Fernandes, São Paulo

 

Contos infantis

Já muito se falou e escreveu sobre contos infantis, uma parte importante da literatura infantil que parece completamente abandonada. Não vejo, com muita tristeza no momento em que escrevo estas linhas, possibilidade alguma de interesse institucional e promoção dessa literatura. Ao que consta, grande parte da geração de escritores que se dedicavam à escrita para os mais novos estão com idade avançada, embora haja uma geração mais nova que procura dar os seus passos. Acho que a geração de Octaviano Correia, Dario de Melo, a saudosa Dra. Gabriela Antunes e Maria Eugénia Neto não está a ser devidamente substituída.

Filipe de Castro, Samba


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