Opinião

Casos de desaparecimento

António Carlos| Sambizanga

Atendendo à livre circulação de pessoas e bens em todo o país, parece ter-se tornado inevitável os casos de desaparecimento de pessoas, entre situações reais, imaginárias e outras que acabam por se esclarecer.

Abordo hoje, nesta modesta carta, a maka dos desaparecimentos que, antigamente, levavam ao batimento de latas, o pregão sonoro que era usado para anunciar desaparecidos. Sobre os casos de desaparecimento de pessoas muito já se disse e lembro-me mesmo da altura em que era moda a afixação de fotografias de pessoas desaparecidas na via pública. Felizmente a Rádio Nacional de Angola (RNA), além de outras vias, acabaram por transformar-se em veículos rápidos para a disseminação de informação sobre desaparecimentos.
Vale dizer também que a Polícia Nacional jogou sempre um papel importante nos esclarecimentos de casos de desaparecimentos, esforços que continuam até aos dias de hoje. No fundo, todos esperam pela colaboração de todos porque, na verdade, a dor e o desespero de familiares que passam pela situação de localização dos seus entes não é nada fácil, sobretudo quando se trata de menores de idade. Muitos olham para a Polícia Nacional como a instituição para aonde as famílias se devem dirigir para tratar de casos de desaparecimento, embora outros encarem as estações de rádio como outro destino.
Luanda está a caminho dos dez milhões de habitantes e parece óbvio que os casos de desaparecimento poderão continuar e grande parte deles sem explicações por parte dos órgãos aos quais as famílias acorrem para as devidas explicações.
Julgo que está na hora de trabalharmos para, das duas uma delas acontecer, "empoderar" a Polícia Nacional com meios tecnológicos e homens para lidar com estas questões, por um lado, e por outro, se necessário, criar-se uma agência para lidar com estes casos. Nós não temos números e não sabemos exactamente quantas pessoas desaparecem todos os dias, meses, e anos.
Um levantamento no sentido de termos uma percepção exacta sobre a dimensão ou não do problema, seria uma iniciativa quanto mais não fosse para termos uma noção desta triste realidade. Acho que se trata já de um problema que deve merecer mais atenção da parte das autoridades e de toda a sociedade.

Situação em Moçambique

O país irmão do Índico passa por situações menos boas que a estabilidade diz respeito atendendo que enfrenta duas realidades muito complicadas, nomeadamente a ameaça da RENAMO e os extremistas islâmicos que realizam ataques esporádicos no norte do país. Mesmo depois de realizar eleições, do parlamento e do Presidente da República tomarem posse, ainda assim os inimigos da paz em Moçambique vivem desafios sérios. Acho que está muito complicado o país conviver com o actual ciclo de ataques, mortes e destruições, algumas vezes atribuídos à RENAMO, outras vezes atribuídos a grupos armados ainda por identificar. Estes últimos têm sido associados a extremistas islâmicos, mas em todo o caso parece ainda cedo para atribuir culpas dos ataques armados aos muçulmanos.

PAULO DE OLIVEIRA| Lobito

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