Opinião

Empresas nacionais

Sou sexagenário e escrevo para o Jornal de Angola pela primeira vez para falar sobre as empresas, mas muito em particular sobre informações recentes que acompanhei relativas ao estado das micro e pequenas empresas em todo o país.

Há dias, uma instituição nacional informou  que 70 por cento das micro e pequenas empresas criadas nos últimos tempos acabaram por  “morrer” por causa da actual conjuntura económica e financeira do país. Como angolano, fico muito preocupado porque a perspectiva de empresas falirem remete-me para o número de pessoas que ficam sem o que comer. Por detrás ou ao lado de quem trabalha, temos sempre que avaliar  que existe, pelo menos,  um número entre três a dez pessoas. Em muitos agregados familiares, às vezes, apenas uma pessoa trabalha razão pela qual é deveras preocupante quando pequenas empresas fecham as portas. Por outro lado, contrariamente ao que muita gente apregoa, as grandes economias não se fazem com grandes empresas, mas sim com pequenas empresas e muitas delas de cariz familiar. Penso que as instituições do Estado têm grande responsabilidade e tudo devem fazer para que a presente "sangria" de micro e pequenas empresas do tecido económico angolano não continue e com todos os efeitos perniciosos deles decorrentes. Embora vivamos numa economia de mercado não há dúvidas de que é também do interesse do Estado que estas empresas não "morram", pelo menos, tão cedo. Afinal, o Estado precisa da contribuição dessas empresas e atendendo que a estabilidade das famílias é igualmente de suma importância, razão pela qual as micro e pequenas empresas são vitais em qualquer Estado. Para terminar, espero que as instituições do Estado assumam as suas responsabilidades para que as empresas com eleva dos níveis de vulnerabilidade não venham a seguir o mesmo caminho das demais.

Fernando Lobato|Ilha de Luanda   

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