A ausência de espaços desportivos nas zonas urbanas e periféricas está na origem também, em minha opinião, da fraca qualidade dos nossos jovens jogadores.
Lembro-me que antigamente, por exemplo, Luanda possuía muitas zonas baldias, onde a rapaziada podia jogar a bola com a frequência que levava ao aperfeiçoamento constante. Hoje, os jovens têm menos horas de práticas de futebol e isso conta muito, facto que tem sido visível pela forma como jogam, como se posicionam em campo e como realizam as necessárias movimentações técnicas e tácticas. Há jogadores, mesmo ao mais alto nível da competição futebolística em Angola, que apresentam sinais claros de quem jogou muito pouca bola desde a infância e adolescência. Há ainda outros que indicam problemas de coordenação motora nos movimentos medíocres que realizam. Muita queixa que se ouve sobre a alegada pouca habilidade dos nossos jogadores tem também a ver com a exiguidade de espaços para a prática de futebol, um problema crónico que precisa de ser resolvido. Engane-se quem pensar que as escolas, as academias e as equipas por si só vão acabar por suprir o "gap" que se regista hoje no nosso futebol. Aquelas duas instituições podem até jogar esse papel caso haja maior coordenação, maior interacção, mais investimento e mais organização. O que os rapazes precisam mesmo é de tempo para a prática de futebol. Isso é um bocado como as horas de voo que um piloto precisa de fazer para atingir os níveis de profissionalismo que o determinam como bom profissional. Com a bola é a mesma coisa, quanto mais tempo jogarem, mais e melhor performance como jogador profissional. Espero que os
bairros novos que estão a surgir não invistam apenas no betão em detrimento dos espaços verdes e dos espaços para a prática de desporto. Inclusive como pressuposto para a saúde, é recomendável que os espaços para o desporto em geral e para o futebol em particular sejam preservados. Aida Fonseca|Viana
Manuais de línguas Sou estudante do segundo ciclo do ensino secundário e escrevo para o Jornal de Angola para abordar um problema que tem que ver com os manuais de língua estrangeira. Geralmente, são sempre escassos. Estudei língua francesa na sétima, encontro-me agora a frequentar a oitava e confesso que tenho enormes dificuldades em ver livros de francês disponíveis, quer para a distribuição gratuita, quer para eventual venda. Não sei o que se passa com os manuais de língua estrangeira, atendendo que os problemas que enfrento são os mesmos que os meus irmãos, que estudam língua inglesa. Alguma coisa de urgente precisa de ser feita sob pena das pessoas que se mostram interessadas em língua estrangeira se desmotivarem. Espero que as entidades responsáveis pela distribuição dos livros, a começar pela edição, sejam sensíveis aos desafios que enfrentam os alunos das línguas francesa e inglesa no ensino público angolano. Trata-se de um problema sério que precisa de resposta. Vivemos numa região em que se fala as línguas inglesa e francesa. António Vicente| Zamba II