Opinião

Facto consumado

Há dias, ouvi um debate numa rádio comercial sobre a política e eleições em África, cujo foco eram as crises pré e pós eleitorais. Houve um interveniente que falou sobre um ponto relevante, nomeadamente o facto de que dificilmente os tribunais comuns ou eleitorais decidem a favor dos candidatos derrotados.

Para o mesmo, até parece premeditado quando se diz aos candidatos para recorrerem às instância judiciais para reclamarem sobre os resultados eleitorais.
Há países africanos em que justamente no ano eleitoral mudam-se os juízes dos tribunais por outros e aos quais os candidatos deverão recorrer. Foi assim na República Democrática do Congo (RDC), em que o ex-Presidente tinha nomeado novos juízes numa altura em que faltavam dois ou três meses para as eleições de 30 de Dezembro.
Quase sucedia o mesmo na Nigéria, quando há dias o Presidente Buhari tentou suspender o juiz presidente do Tribunal Supremo, um passo encarado como tentativa para o afastar. E, ironicamente, a Nigéria vai a votos hoje.
Quer dizer, nem tudo é assim tão inocente e, por isso, é que todos os pleitos eleitorais, sobretudo os fraudulentos, acabam sempre como começaram, como um facto consumado.
Goreth Carvalho | Luena

Laurent Gbagbo
Os juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI) absolveram o antigo Presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, dos crimes cometidos na sequência das eleições de 2010. Essa foi uma boa notícia para África e para os marfinenses apoiantes do antigo Presidente. Segundo a informação, Laurent Gbagbo foi o primeiro antigo chefe de Estado a ser levado perante o Tribunal Penal Internacional. Aos 73 anos de idade, foi a julgamento por crimes cometidos durante a crise pós-eleitoral de 2010-2011, surgida devido à sua recusa de ceder o poder ao seu rival e actual Presidente, Alassane Ouattara. Parece que este último anda agora a ver fantasmas em tudo quanto seja canto, numa altura em que a libertação de Laurent Gbagbo vai alimentar a agitação política no país.
A Costa do Marfim vai realizar eleições daqui a meses e embora não se saiba ainda qual será a condição eleitoral do ex-Presidente que sai agora em liberdade, julgo que Alassane Ouattará vai ter motivos para se preocupar. Espero que Laurent Gbagbo regresse a Abidjan, onde os seus partidários o esperam para mobilizar o partido e as bases de apoio.
Claúdio Martins | Rangel

Maternidade precoce
Sou mãe de duas meninas que começaram cedo os seus papéis como geradoras de vida, levando a minha família a viver pela primeira vez a maternidade precoce. Sei que este fenómeno afecta muitas famílias um pouco por todo o país e representa um desafio grande.
A Igreja católica tem alertado muito sobre essa situação que afecta várias famílias, sobretudo nas zonas rurais. A maternidade precoce constitui hoje um desafio grande para muitas famílias em que os progenitores enfrentam a dupla tarefa de criar duas gerações distintas de filhos.
Uma coisa é criar um filho ou uma filha e depois ter o trabalho de criar igualmente o neto como filho por razões ligadas à incapacidade do progenitor ou progenitora em se aguentar sem ajuda dos pais.Acho que a educação constitui uma boa base de apoio para mudar esta situação que afecta não apenas as zonas rurais, mas ultimamente as zonas urbanas.
Madalena Castro | Londuimbali

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