Opinião

Fim das chuvas

As chuvas em Luanda preparam-se para finalizar, com as últimas que podem cair neste mês de Abril.

E escrevo estas linhas para advertir que as mesmas reclamações que ouvimos agora que as chuvas dessa primeira leva de 2019 deram o ar da sua (des)graça vão ser as mesmas que ouviremos na próxima leva. Infelizmente, ouvem-se vozes a dizer que Luanda não está preparada para as chuvas, como se cidade alguma estivesse preparada para receber chuvas.
No fundo, nenhuma cidade do mundo está preparada para receber elevadas cargas de água da chuva, como se notam mesmo das grandes e mais modernas cidades do mundo.
É bom que, em vez de estarmos permanentemente a reclamar das chuvas, obra da natureza, devemos procurar acelerar os mecanismos que nos podem ajudar a minimizar o seu impacto.
Temos que procurar nos adaptar à chuva, em vez de esperarmos o contrário. Está na hora de os governos provinciais, as administrações municipais e comunais empreenderem esforços e imporem a sua autoridade de Estado, ali onde as famílias decidam erguer as suas casas à revelia.
O planeamento urbanístico deve funcionar e os materiais usados na construção das valas de drenagem, dos canais de retenção de água, entre outras infra-estruturas, devem ser de melhor qualidade.
Espero que saibamos nos adaptar melhor às chuvas do que continuarmos a reclamar de algo que pouco ou nada podemos mudar.
João Bartolomeu | Cazenga

 

Dormir na rua
Escrevo com alguma compaixão daqueles que dormem na rua e julgo que o Estado devia envidar esforços no sentido da remoção dessas pessoas. Tal como consta da Constituição, Angola é uma República baseada na dignidade da pessoa humana, julgo que o número de pessoas a dormirem na rua, pelas mais variadas razões, nunca devia ser um “não assunto”.
Os governos provinciais deviam estar munidos de instrumentos e ferramentas que os habilitariam a lidar com esta situação.
É provável que para algumas pessoas eu esteja a exagerar, mas se virmos bem há centenas de casas erguidas e não habitadas.
Falo das casas construídas pelo Estado e que em condições deviam servir para albergar as famílias.
Não faz sentido que existam pessoas a dormir na rua quando há casas, maior parte delas acabadas e que continuam inabitadas.
É verdade que as instituições sabem o destino a dar a tais casas, mas insisto que não faz sentido que as mesmas continuem encerradas, com o risco inclusive de degradação dos materiais utilizados na sua construção.
Dormir na rua em condições normais em qualquer parte de Angola devia ser um assunto levado a sério pela governação ao nível das províncias.
Espero que esta minha modesta carta demova aqueles que pensam que dormir na rua é um problema de somenos importância para o Estado.
Adelaide Moreira | Bairro Operário

 

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