Opinião

Maka na Guiné-Bissau

A maka eleitoral na Guiné-Bissau está a tomar contornos nunca antes vistos. Ora, os partidários do então candidato do PAIGC regozijam-se das diligências feitas em nome da verdade eleitoral, ora os apoiantes do general Embaló festejam o alegado apuramento feito por força da imposição legal do Tribunal Supremo.


Parece estarmos em presença de informação e contra-informação, na medida em que, depois da decisão do Tribunal Supremo, nas vestes de Tribunal Eleitoral, não sabemos se realmente o apuramento foi feito conforme imposto ou se não. Sabemos, sim, que havia resistência da parte do Conselho Nacional Eleitoral da Guiné-Bissau em cumprir com os preceitos impostos pelo Tribunal Supremo. Não tinha igualmente ficado muito claro como é que se podia apurar os resultados eleitorais que se tornaram controversos a partir do momento em que a CNE não conseguiu apresentar a acta final de apuramento. Muitos analistas foram induzidos em erro ao darem como provada a eleição de Umaru Sissokó Embaló. Inclusive a União Africana, provavelmente "empurrada" pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), acabou por, erradamente, reconhecer e felicitar o candidato dissidente do PAIGC.
Muitos colocavam em causa as reclamações de Domingos Simões Pereira, segundo as quais as eleições presidenciais, na segunda volta, tinham sido "roubadas" num conluio envolvendo as forças armadas. Se não houvesse queixa junto do Tribunal Supremo e se este não exigisse à CNE fazer prova do apuramento dos resultados a nível nacional através da acta, Umaru Sissokó Embaló tomaria posse como "Presidente forjado", seguramente por sectores que temem a normalização da vida na Guiné-Bissau. Agora que a verdade começa a emergir, tudo indica que estes sectores começam a ter agora motivos para se preocuparem. Na verdade, penso que uma das saídas, se não mesmo a única, para este problema eleitoral tem a ver com a anulação do processo eleitoral. Julgo que da mesma maneira como foi possível manipular todos os resultados e apresentar Umaru Sissokó Embaló poderá ocorrer o mesmo com o novo processo de apuramento. Parece-me que já não faz qualquer sentido que se apure os resultados eleitorais de um acto que foi manifestamente viciado desde o princípio. Julgo que há muita gente que não pretende que Domingos Simões Pereira assuma a liderança do país porque temem que o processo de normalização política e institucional vai levar ao fim de numerosas práticas que, ao fim do dia, lesam gravemente a Guiné-Bissau. Era bom que os parceiros sérios e honestos da Guiné-Bissau, nesta altura, joguem um papel mais decisivo para impedir que forças que se opõem à normalização naquele país não tome as rédeas da Guiné-Bissau.
Patrício Fonseca|Baleizão


Tapa-buracos
Há dias, o Jornal de Angola ilustrou a secção "Imagem do Dia" com uma rua de Luanda com charco e lama. Dizia-se na legenda que acompanhava a foto "simples trabalhos de tapa-buraco e entulho" podiam servir para minimizar o estado em que se encontrava, não sei se ainda se encontra até hoje. Era bom que as administrações municipais ou governos provinciais levassem mais a sério a realização de campanhas de superação do estado lastimável em que se encontram muitas vias.
Laureano Cândido|São Paulo

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