Opinião

Potencial turístico

Alfredo guimarões Mavinga

Vivo aqui na área da Mavinga, na província do Cuando Cubango, e que mesmo com as dificuldades que a região vive, lanço um desafio a todos quantos possam fazer alguma coisa para alavancar o turismo regional.

Num momento de diversificação da economia angolana, encaro com bastante satisfação os passos que o sector turístico dá a cada dia que passa. É por isso que escrevo estas modestas linhas, para falar sobre um sector que há mais de 20 anos anda adormecido. O turismo tem o potencial de proporcionar ao país as receitas que numerosos sectores combinados dão e ajudaria a reduzir a pressão pela exploração de recursos como o petróleo. Trata-se de um sector do futuro que precisa de ser devidamente encarado por toda a sociedade, a começar obviamente com as entidades com poder de decisão política e económica. É preciso coragem para a tomada de algumas medidas para que façamos do turismo um sector capaz de concorrer com outros, tidos como estratégicos, na ajuda que prestam ao Estado na arrecadação de receitas. Em tempos, gostei muito das palavras do Presidente eleito, João Gonçalves Lourenço, quando disse que precisamos de esquecer um pouco o petróleo. De facto e em minha opinião, precisamos de fazer outras apostas que incidam na criação de postos de trabalho, mas sobretudo na diversificação da economia. Tenho informações que apontam para um reduzido aproveitamento do potencial turístico por parte dos angolanos, em detrimento do que os outros aqui próximos fazem. Basta olhar pela forma como nós, angolanos, até não temos uma estratégia exequível para aproveitar as oportunidades de exploração turística da região transfronteiriça do Okavango, onde os sul-africanos estão melhor posicionados. Às vezes, pergunto-me, como é que os sul-africanos que se encontram bem distante "geograficamente falando" fazem melhor proveito daquele espaço, quando os povos que se encontram próximos mal conhecem as suas potencialidades.


Palavra marimbondo

A expressão "marimbondo", substantivo que designa um tipo de abelha, entrou definitivamente para o léxico político angolano. E muito já disse sobre essa expressão que, num outro contexto, tinha sido usada pelo Presidente da República e hoje, erradamente, atribuída a um conjunto de individualidades ou estado de coisas. Eu identifico-me mais com as coisas e estado de coisas que estão a ser colocadas em causa pelo actual Executivo, com o amplo apoio do povo. Quem é que não apoia o combate contra a corrupção, o nepotismo, a bajulação e outros males? E qual é o mal de tais realidades serem chamadas ou serem ligadas a marimbondos, enquanto conjunto de coisas que precisam de ser erradicadas.
Mas é normal que as pessoas usem a palavra metaforicamente para distinguir a presente conjuntura da outra, antes do período de Setembro de 2017 e que marca um novo começo.
Concordo com aqueles que defendem que a corrupção, o tráfico de influência, o nepotismo e outras más práticas podem ser consideradas como "marimbondo". Em vez de olharem para individualidades cuja acção no passado recente possa gerar alguma semelhança com o que pretende descrever a expressão "marimbondo", passemos a prestar mais atenção no que todos podemos e devemos fazer para inverter o quadro herdado da governação anterior. Não está em causa as pessoas mas todo um conjunto de coisas.

ANTÓNIO FERNANDES
Zango III

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