Opinião

Vadiagem na cidade

Há dias, li o Estatuto Orgânico da Cidade de Luanda e fiquei um bocado impressionado com o conteúdo em matéria de segurança pública.

Num dos seus artigos, consta das responsabilidades do Governo da Província de Luanda combater a vadiagem, em meu entender, o conjunto de práticas que atentam contra a segurança, ordem e tranquilidade pública a todos os níveis, deve ser também uma atribuição daquele ente público.
Combater a vadiagem devia ser uma prioridade das autoridades em Luanda, quanto mais não fosse inclusive para reorientar essa mão-de-obra que se perde na ociosidade pelas ruas da baixa de Luanda.
Às vezes, encontro muitas dificuldades para entender como a baixa da cidade de Luanda fica repleta de centenas de jovens, que nada fazem senão extorquir dinheiro, privatizar espaços públicos para estacionar ou parquear.
Sei que é difícil e complexo, às vezes até delicado investir contra a vadiagem na medida em que os níveis de desemprego na cidade são muito altos, facto que leva muitos a procurar formas de subsistência pululando pela cidade.
Mas não falo daqueles que trabalham honestamente, mesmo com empregos ou afazeres precários, mas falo daqueles que perigam a ordem e a tranquilidade públicas.
Numerosos jovens que não fazem nada, nem são sequer moradores daquela área da cidade, e que lá ficam a pulular de um lado para outro, com todos os inconvenientes daí decorrentes. Para terminar, espero que as autoridades de Luanda ponderem tomar medidas relacionadas com o que escrevi nesta modesta carta.
JUVENAL COSTA | Gamek


Matadouro de Camabatela
Vivo em Camabatela e escrevo para o Jornal de Angola para falar sobre o Matadouro de Camabatela, inaugurado em Agosto de 2017, no quadro da estratégia do Governo destinada a reduzir as importações, e que se encontra paralisado, há já algum tempo.
Tratou-se de um investimento que acabou por transformar-se num verdadeiro “elefante branco” na medida em que não há sequer uma data para a sua reabilitação.
E nem se fala mais sobre o fim que se vai dar ao referido empreendimento.
Dizem que está paralisado alegadamente por falta de animais para abate, uma estrutura que levou o Estado a gastar milhões de dólares que, se calhar, podiam servir para aplicar em áreas vitais da vida do país.
Diz-se que a montagem da referida estrutura custou aos cofres do Estado mais de 13 milhões de dólares, valores que podiam servir para construir milhares de casas sociais de padrão mediano, que podiam contribuir para albergar milhares de famílias.
Não consigo entender como é que foi possível pensar-se na instalação de um matadouro numa zona sem contar-se com a “população animal” para o abate.
Embora as populações da minha região tenham ficado inicialmente encantadas com a ideia de implantação de um Matadouro em Camabatela, na verdade, a montanha pariu um rato.
Espero que o exemplo do Matadouro de Camabatela sirva para se evitarem outras “aventuras” semelhantes. O país não precisa de caminhar com obras, que custam elevadas somas ao Estado, e que acabam subaproveitadas, paralisadas ou completamente abandonadas.

PAULO VENTURA | Lobito

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