Opinião

A agricultura familiar, infra-estruturas e quadros

É sabido que um elevado número de famílias se dedica no nosso país à agricultura, o que tem assegurado a subsistência de muitos cidadãos, que dependem exclusivamente dos produtos do campo.

Segundo números da Confederação das Associações de Camponeses e Cooperativas Agro-Pecuárias de Angola (UNACA), o sector Agrícola está fortemente alicerçado na agricultura familiar, responsável pelo cultivo de 91 por cento da área da produção.
Não se deve subestimar esta realidade, devendo-se traçar as políticas adequadas para que os camponeses possam produzir cada vez mais, não só para a sua subsistência, mas também para comercializar os seus produtos.
Sabe-se entretanto que um dos grandes problemas dos camponeses é o escoamento dos seus produtos para os mercados, devido ao mau estado das vias rodoviárias e à falta de meios de transportes
Muitos camponeses podem desistir de produzir em grande quantidade se não tiverem perspectiva de conseguir retorno do seu investimento. Há muita coisa que não depende dos camponeses, como a edificação de infra-estruturas rodoviárias ou ferroviárias, necessárias para colocar no mercado os seus produtos em boas condições para serem consumidos.
Um número considerável de camponeses está organizado em cooperativas e associações, o que pode facilitar o apoio do Estado aos projectos dos trabalhadores do campo. O importante é que apoios que venham a ser concedidos aos camponeses cheguem realmente a quem trabalha a terra. A UNACA existe há trinta nos, sendo hoje uma organização com larga experiência ao nível do cooperativismo no campo.
A UNACA deve ser consultada para ajudar na concepção de projectos que contribuam para potenciar a produção dos camponeses. Além da UNACA devem também ser consultados especialistas que trabalham vários anos no campo e têm ideias valiosas que podem ser aproveitadas.
Vivemos tempos em que devemos unir esforços para superarmos os nossos problemas, que são complexos. O conhecimento daqueles que estão disponíveis para dar a sua contribuição ao desenvolvimento rural não deve ser ignorado.
Todos os angolanos devem poder colocar a sua inteligência ao serviço da Nação. É um erro afastar do processo de reconstrução do país angolanos com elevada capacidade técnica e profissional.
Há pessoas que, colocadas em cargos de direcção, temem a competência, e esforçam-se mais, não por chamar para a execução de tarefas complexas quadros excelentes, mas por marginalizá-los, com graves prejuízos para o país.
Deve-se acabar com a cultura de se escolher, quando temos competência para nomear este ou aquele quadro, os que, como se costuma dizer, "são dos nossos", expressão que significa exclusão de pessoas que não são do círculo de interesses deste ou daquele. Angola é de todos os angolanos e todos os cidadãos devem ter a oportunidade de trabalhar em prol do seu progresso.
A terra é um dos nossos principais recursos naturais, e devemos tirar o máximo proveito de uma riqueza que pode ajudar-nos a erradicar a pobreza.

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