Opinião

A doação de sangue

A doação de sangue, um processo hospitalar que visa salvar vidas e assegurar um stock do referido líquido, constitui uma acção vital, necessária e indispensável para garantir segurança e estabilidade do sector da Saúde.

 O país viveu um período, na década de oitenta do século passado, em que a doação de sangue em todo o país não enfrentava os actuais problemas de permanente escassez.
Nem as famílias, aquelas solicitadas para doarem, eram confrontadas com a necessidade que, hoje, leva os agregados familiares quase a prepararem-se antecipadamente perante a perspectiva de serem convocados para o efeito. Mudou o contexto e a realidade social, económica e fundamentalmente demográfica, que requerem hoje estratégias diferentes para lidar com uma situação inteiramente nova, diferente e mais exigente.
O atendimento hospitalar, hoje, conhece desafios nunca antes vistos, mas que os seus operadores, particularmente públicos, procuram, dentro das suas limitadas possibilidades e recursos, responder tendo sempre como principal foco salvar vidas humanas.
Mas precisamos de evoluir do actual quadro em que são os familiares que “sustentam”, em até perto de 100 por cento, as doações de sangue que ocorrem na rede hospitalar, conferindo um carácter de emergência a procedimentos que podiam ser melhor geridos.
As famílias já vivem sobrecarregadas, em muitos casos, com problemas económicos e sociais do dia-a-dia que seria de todo recomendável serem isentas do processo de sangue, pelo menos, sob o manto da pressa e gravidade da situação. Para estes casos, os de emergência e contra os quais as famílias poderão estar "desarmadas" para fazer frente, será mais sensato as unidades hospitalares acudirem. Para isso, nada melhor do que eventualmente reestruturar, alargar competências e atribuições do Instituto Nacional do Sangue para que essa entidade ajude na colecta e preservação dos stocks.
Podemos e vamos ainda a tempo de recuperar parte do aprendizado do passado em que a Cruz Vermelha Angolana teve um desempenho exemplar ao congregar dadores voluntários em todo o país, devidamente acompanhados. É igualmente imperioso que se evolua na criação de um banco de sangue ou um ente próximo que sirva para ajudar a minimizar o impacto que o actual sistema acarreta com as famílias a serem "forçadas" às emergências.
Esse mecanismo, por via do qual as famílias são "pressionadas" a doar sangue, tem estado, pela natureza do acto, a ser realizado sempre à pressa e a provocar problemas, muitos deles evitáveis. Com um plano bem estruturado, não há dúvidas de que o país pode arregimentar milhares e milhares de dadores, mantendo constante os níveis dos stocks. Acreditamos que é possível fazermos da doação de sangue um acto normal e nunca precedido de todas as situações anormais que lhe estão associadas, com consequências nem sempre boas para todos.

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