Opinião

A expansão do terrorismo na África Ocidental

Numa altura em que partes significativas do continente africano caminham, com sucessos exemplares, para efectivar os processos de integração ao mesmo tempo que procuram consolidar a paz, surgem novos desafios na zona leste, envolvendo territórios da República do Mali, Burkina Faso, Líbia e Níger.

Se há cerca de algumas décadas, as preocupações do continente repousavam sobre os Grandes Lagos e o Corno de África, hoje, claramente, os desafios de erradicação do que se prevê como implantação de “porto seguro” para os grupos terroristas encontram-se na zona do Sahel.
A União Africana e as organizações sub-regionais devem levar muito a sério os desenvolvimentos que acontecem naquela região, cujos alarmes têm ocorrido com os sucessivos ataques que, particularmente, o Mali e o Burkina Faso têm sofrido. Atendendo a extensão territorial e a distância que separa localidades isoladas das sedes em que se encontra, com maior presença, o poder do Estado, não há dúvidas de que grupos como o Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI), o Estado Islâmico e outras denominações, filiadas ou não naqueles primeiros, actuam com toda a liberdade. É preciso que se negue a estes grupos ou aos seus representantes a capacidade de imporem a sua agenda, sob pena de virmos a testemunhar o surgimento de territórios inteiros sob o domínio dessas organizações extremistas cuja agenda principal é “exportar” o terror. Não se pode perder de vista que, com a perda de espaço no Médio Oriente, muitas organizações terroristas tendem a encarar a zona do Sahel, envolvendo os territórios dos países mencionados como áreas com condições para a sua implantação.
O investimento na segurança e o controlo das movimentações fronteiriças, contando com o apoio dos principais parceiros estrangeiros, devem ser o principal foco da União Africana, das organizações sub-regionais e dos países directamente afectados.
Tal como as investigações recentes, relacionadas com o terrorismo provaram, os investimentos para conter as actividades de grupos terroristas devem incidir mais na componente de inteligência e menos no “hardware” militar. Os países que enfrentam hoje situações de insegurança provocadas pelos grupos terroristas devem maximizar os esforços ligados à troca de informações e de experiências para inviabilizarem os actos que enlutam famílias e destroem os bens públicos. Os territórios do Mali, Burkina Faso, Níger e Líbia não podem transformar-se no “porto seguro” dos grupos terroristas ante a inércia de todo um continente.
A insegurança naquela região vai acabar por penalizar mais ainda o penoso dia-a-dia das populações, razão pela qual urge, da parte da União Africana, das organizações sub-regionais e dos países directamente afectados, a tomada de decisões que invertam o actual quadro.

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