Opinião

A hora da testagem massiva

A iniciativa de testagem massiva nos mercados da cidade capital, nomeadamente o do Catinton, do Quicolo e do Km 30, numa diligência do Ministério da Saúde e do Governo Provincial de Luanda, constitui uma importante etapa no controlo da evolução da cadeia de contágio da Covid-19.

É, cada vez mais, consensual a ideia de que só com testes massivos na comunidade é que se poderá ter um conhecimento mais sólido e melhor estruturado sobre a evolução da doença. Vários especialistas angolanos defenderam, com alguma razão, a necessidade de se intensificar os testes nas comunidades, inclusive como processo por via do qual se poderá encontrar as melhores estratégias de resposta às formas de contágio da Covid-19.
Atendendo às dezenas de casos sem vínculo epidemiológico conhecido, realidade que coloca o país a poucos números para a chamada fase do contágio comunitário, a testagem massiva servirá como um ponto de viragem significativo nos esforços de controlo e monitorização da doença.
Não há dúvidas de que os eventuais casos que resultarem dessas iniciativas, de testes massivos na comunidade, vão ajudar também no aumento da consciencialização sobre a pandemia e a desencorajar procedimentos não consentâneos com a conjuntura. Lamentavelmente, muitos, enquanto a doença não envolver pessoas próximas, eventualmente os próprios na primeira pessoa, não ganham consciência sobre a existência da mesma, além daqueles casos de negação patológica.
Ao lado da iniciativa, que teve lugar há dias nos referidos locais de venda e compra de bens e serviços, vai ser necessário estender esse procedimento às comunidades em geral, sobretudo a nível da periferia onde os ajuntamentos humanos, nalgumas circunstâncias, continuam como se nada que o contrarie estivesse a ocorrer no país.
Não podemos perder de vista que desde a madrugada de ontem vigora, nas circunscrições territoriais sob cerca sanitária, um conjunto de medidas excepcionais e temporárias que deve ser rigorosamente cumprido pelas pessoas, nas localidades afectadas.
Lembrar que as autoridades, repetidas vezes, têm recomendado às pessoas que quanto melhor cumprirmos com as recomendações sanitárias das autoridades mais cedo podemos voltar à normalidade, sendo igualmente verdade o contrário. Ou seja, se por um lado os nossos compatriotas de Cabinda ao Cunene, mas fundamentalmente nas províncias e localidades sob cerca sanitária, continuarem a pensar que a Covid-19 apenas afecta a alguns e não constitui uma ameaça a todos, dificilmente estaremos a contribuir para o seu melhor controlo. E se por outro, ainda pior, persistirem na ideia de que a Covid-19 nem sequer existe, estaremos não apenas fadados ao fracasso, mas poderemos estar a promover um ambiente para a propagação da doença.
Portanto, urge repensarmos o que cada um está a fazer e que, como esperamos, a iniciativa de testagem massiva nos mercados envolva outros locais em que as pessoas se aglomeram para os mais variados fins.

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