Opinião

A luta contra a Covid-19 e as medidas de restrição

Não passaram despercebidas as recentes declarações da ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, a admitir a tomada de "medidas de restrição" por parte das autoridades, em virtude da violação permanente das regras de prevenção da Covid-19.

O desconfinamento traduzido no levantamento de várias restrições tem entretanto sido problemático, com pessoas a não respeitarem regras necessárias para que não haja rápida propagação do novo coronavírus .
Sílvia Lutucuta foi clara ao dizer que a Comissão Multissectorial, encarregada de gerir a pandemia, já "está a estudar medidas de restrição," podendo a qualquer momento ser tomada uma decisão sobre o assunto.
As medidas de restrição, a serem tomadas, serão uma consequência do facto de, como explicou a ministra da Saúde, estar a haver "muita gente sem máscaras faciais e outras pessoas com as máscaras colocadas no queixo e sem manter o distanciamento recomendado pelas autoridades sanitárias". Disse ainda Sílvia Lutucuta que o número de pessoas em festas, bares, restaurantes e pedonais para exercícios físicos constitui uma preocupação para a Comissão Multissectorial.
O desconfinamento gradual tem suscitado a preocupação de governos de outros países, que têm constatado níveis elevados de desobediência às regras definidas pelas autoridades sanitárias, o que tem obrigado decisores políticos a decretar novos confinamentos, para evitar uma acelerada propagação do coronavírus.
Faz sentido que as nossas autoridades pretendam voltar a tomar medidas restritivas, tendo em conta a gravidade da pandemia e as repercussões perigosas que decorrem da doença de Covid-19.
É acertado o facto de as autoridades não desejarem condescender com comportamentos que ponham em perigo vidas humanas. É responsabilidade das autoridades tomar, quando for caso disso, todas as medidas que contribuam para impedir a aceleração da propagação da Covid-19. Ao que tudo indica, as nossas autoridades não querem que aconteça o pior, optando oportunamente pela prevenção em termos de medidas que possam levar ao cumprimento rigoroso das regras de combate à Covid-19.
Embora não se saiba que medidas de restrição hão-de ser tomadas, o importante é que elas venham a ser eficientes, pelo que convém que se estudem bem as actuais fragilidades no controlo do cumprimento das medidas até aqui em vigor. Detectando-se as eventuais fragilidades, poder-se-á avançar para mecanismos de controlo que venham a resultar em beneficio para todos os cidadãos, nesta luta contra um inimigo que, como afirmou o Presidente João Lourenço, é "poderoso, mortífero, traiçoeiro, por ser invisível, sem cor, sem cheiro e sem vacina para imunizar, pelo menos por enquanto."

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