Opinião

A luta contra o analfabetismo

Ainda é considerável o número de pessoas analfabetas no nosso país, apesar dos esforços empreendidos ao longo de muitos anos para se acabar definitivamente com o analfabetismo em Angola.

As campanhas de alfabetização iniciaram-se em 1976, tendo muitos angolanos aprendido a ler e a escrever em sala de aulas improvisadas. Muitos desses angolanos concluíram, depois de alfabetizados, cursos médios e superiores.
Mas há ainda um grande trabalho por fazer para se acelerar o combate ao analfabetismo, a fim de erradicarmos este mal. O desenvolvimento do país passa pela disseminação do conhecimento por todas as comunidades, estejam elas na cidade ou nas zonas rurais.
A alfabetização de adultos é um projecto que deve ser levado muito a sério, na medida em que muitos analfabetos fazem parte da população activa, pelo que faz sentido que estado esteja a prestar permanentemente atenção àquele subsistema de ensino.
E prestar atenção à alfabetização deve implicar a melhoria das condições salariais e de trabalho dos alfabetizadores, que, afinal, são aqueles que vão permitir que até 2022 se reduza a taxa de analfabetismo para 18 por cento.
Os alfabetizadores devem estar motivados para o trabalho que fazem, e essa motivação só pode resultar das condições que lhes forem dadas. Os alfabetizadores não devem ser vistos como parentes do sector do Ensino. O seu trabalho deve ser valorizado. Há notícias de alfabetizadores que percorrem longas distâncias a pé para dar aulas, mesmo com subsídios em atraso . E eles fazem isso por amor ao próximo.
Muitos dos nossos alfabetizadores estão animados pela vontade de servir o país e os angolanos que trabalham em prol do bem comum devem ser acarinhados permanentemente. É importante que o processo de alfabetização não registe retrocessos. Agostinho Neto, o primeiro Presidente de Angola, disse, a propósito da alfabetização, que “é bom não desistir enquanto não se chegar ao fim, enquanto não se souber ler, escrever, contar. Cada um deve persistir. Não é só começar para depois acabar no dia seguinte. É preciso continuar, continuar sempre, até se chegar ao fim.”
Estas palavras de Agostinho Neto foram proferidas em Novembro de 1976 numa fábrica, a Textang, e podem servir de incentivo os que hoje continuar na primeira linha da batalha para vencer o analfabetismo.
E é possível superar o analfabetismo. Importa que haja organização e empenho de todos os que têm responsabilidades na execução de um projecto que é benéfico para o país.
O investimento em capital humano tem sempre retorno. O facto de uma parte considerável de pessoas analfabetas no nosso país serem jovens justifica um maior apoio aos alfabetizadores, evitando-se atrasos no pagamento dos seus subsídios e criando-se instalações dignas para darem aulas.

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