Opinião

A luta contra o terrorismo e o papel da União Africana

A situação de instabilidade em várias partes do continente africano, e decorrente do terrorismo, tem suscitado a preocupação dos dirigentes de África, que entendem que o combate a actos de violência deve ser uma prioridade.

Os estadistas de África, reunidos recentemente em cimeira, no quadro da União Africana (UA), vão voltar a encontrar-se brevemente para abordar exclusivamente o problema do terrorismo no continente.
O facto de a União Africana pretender realizar uma cimeira só para discutir o problema do terrorismo é uma indicação de que a organização continental quer ter maior protagonismo nos processos que elevem à neutralização de actos terroristas que afectam muitos países do continente, nomeadamente da região do Sahel, Corno de África e Bacia do Chade.
Faz sentido que sejam os países de África a tomarem também iniciativas que vão no sentido de se encontrarem soluções para se pôr fim ao terrorismo no continente.
A África não pode estar inerte perante um terrorismo que desestabiliza países, causa milhares de refugiados e deslocados e crises humanitárias, afectando muitos milhares de pessoas.
Espera-se da União Africana um maior envolvimento na luta contra o terrorismo no continente, até porque organizações internacionais, nomeadamente as Nações Unidas, e países interessados no fim da violência nas regiões atingidas pelo terrorismo não têm recursos ilimitados para se resolver um problema complexo.
É provável que a União Africana queira conceber novos mecanismos de actuação, e acredita-se que a cimeira extraordinária da UA sobre o terrorismo venha depois a resultar em acções concretas e mais robustas para se combater eficazmente o terrorismo.
O Presidente do Chade, Idriss Déby, foi claro quanto ao perigo que representa o terrorismo em África, tendo afirmado que "não é apenas um problema do Sahel, é um problema africano". Disse ainda o Chefe de Estado chadiano que "África tem de despertar para este problema, que pode desestabilizar todo o continente", tendo alertado para o facto de o terrorismo não estar apenas no Iraque, no Paquistão ou no Iémen.
António Guterres, Secretário-Geral da ONU, tem acompanhado a situação nas regiões africanas afectadas pelo terrorismo, e advoga aquilo a que ele chama uma "abordagem robusta" para responder à violência causada por actos terroristas, de que são vítimas muitos civis.
Os africanos têm esperança de que a União Africana venha a assumir um novo papel na luta contra o terrorismo, devendo a UA mobilizar recursos humanos e financeiros para acções que contribuam para a paz e estabilidade no continente.
Que o alerta do Presidente Idriss Déby incentive os restantes estadistas do continente a procurar o mais rapidamente possível as soluções apropriadas para fazer face a um mal que está a provocar muito sofrimento em África.

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