Opinião

A maka do livro infantil

Celebra-se hoje um pouco por todo o Mundo o Dia Internacional do Livro Infantil, uma data que lembra a necessidade de prover, desde a mais tenra idade, os livros aos mais pequenos, como passo para incentivar o gosto pela leitura.

Comemorada por iniciativa do Conselho Internacional sobre Literatura para os Jovens (IBBY, sigla inglesa), à data associa-se um compromisso nobre, o de reunir livros e crianças. A leitura continua insubstituível, ao lado de outras formas de absorção de conhecimento, informação e entretenimento, como ferramenta para o ser humano melhorar a sua condição. E não há dúvidas de que por via da literatura e esta, quando incentivada na mais tenra idade, tende a produzir efeitos duradouros na forma como a sociedade avança e se moderniza num Mundo cada vez mais competitivo.
É verdade que tende a ser complexa a materialização do compromisso de levar livros para as crianças em regiões em que a luta pelo pão de cada dia assume um lugar imediato e quase que indisputável com outras necessidades. Mas, “não é só do pão que vive o homem”, uma máxima conhecida e na qual a vasta maioria da Humanidade se revê, que lembra a cada um de nós que é possível, sim, incutir nas crianças o gosto pela leitura desde muito cedo, independentemente das condições económicas.
Em Angola, vivemos ainda desafios enormes quando se trata do livro infantil, de disponibilizar livros a todas as crianças, quer pela incipiente produção literária, quer pelo exíguo parque gráfico, quer ainda pelo inexistente gosto pela leitura, quer ainda pela reduzida legião de autores de literatura infantil, entre outras razões. O decrescente número de autores de livros infantis, contrariamente ao período nobre que o país conheceu com autores que enriqueceram o nosso universo literário infantil, constitui hoje um dos maiores desafios.
E associado ao desafio descrito estão outros, nomeadamente a produção literária, sobretudo a ligada aos livros infantis, que enfrenta também muitas dificuldades, seguramente devido à procura, gosto e apego aos livros.
Mas independentemente das dificuldades por que passam todos os esforços no sentido de assegurar o livro infantil em quantidade e qualidade, é preciso trabalhar com as condições que temos. Incentivar as crianças a ler, desde muito cedo, mesmo nas condições em que nos encontramos não pode ser encarada como um exercício desnecessário ou um luxo. A preocupação em proporcionar um livro às crianças deve assumir a mesma necessidade e utilidade relacionada com a busca diária do pão de cada dia.
Como dizia um escritor, “educar para a tolerância adultos que atiram uns nos outros por motivos étnicos e religiosos é tempo perdido. Tarde demais. A intolerância selvagem deve ser, portanto, combatida nas suas raízes, através de uma educação constante que tenha início na mais tenra infância” e nada melhor do que essa realidade ser levada mais a sério.

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia