Opinião

A paz em dias desafiadores

Celebra-se hoje o Dia da Paz e Reconciliação, dezoito anos depois da assinatura do Memorando do Luena que, embora numa fase menos boa no que a saúde pública diz respeito, continua como um marco importante para os angolanos.

Aproximadamente, duas décadas depois e independentemente de algumas vozes, naturalmente, augurarem a efectivação da chamada “paz social”, não há dúvidas de que estamos a ser bem sucedidos na “transformação das espadas em relhas de arado”.
A “paz social” é uma construção permanente e, na sua plenitude, não existe em nenhuma parte do mundo, atendendo inclusive a natureza humana sempre propensa à insatisfação e ao inconformismo. Precisamos de continuar a consolidar as bases em que assentam a paz obtida em 2002 porque, na verdade, a percepção das suas vantagens, quando equiparadas ao período anterior, não são, nem de perto, nem de longe, comparáveis.
De Cabinda ao Cunene, todos os angolanos convergem na ideia de que é preciso que todos continuemos a nos empenhar para a sua preservação com gestos de união, reconciliação e construção de um bom país para vivermos. Ao longo destes dezoito anos, tem sido possível uma aprendizagem sobre a dimensão dos ganhos da paz e estabilidade que permitem igualmente enterrar definitivamente o passado de conflito.
Por experiências próprias, os angolanos sabem o quanto custou o alcance da paz e os esforços para a promover a estabilidade, numa altura em que prevalece a ideia de que aqueles dois elementos fazem parte de processos em contínua construção.
A conjuntura actual e independentemente dos constrangimentos provocados pela crise económica e financeira, muito particularmente os efeitos da Pandemia do Covid-19, os angolanos são incentivados a manter a calma, a proceder conforme as orientações das instituições do Estado, seguir os melhores exemplos e evitar o pânico.
O Presidente da República, João Lourenço, reforçou há dias o seu apelo aos angolanos para a permanência em casa, de forma a conterem a propagação do novo Coronavírus (Covid-19). Tal como fez saber a ministra da Saúde, acreditamos que dentro das nossas limitações, devemos procurar actuar de maneira a que a cadeia de contágio seja controlada, olhar para frente e dar os melhores exemplos. E para isso nada melhor do que manter-se em casa, limitando as saídas à procura de bens de primeira necessidade, tal como permitido pelo Decreto Presidencial que restringe largamente a liberdade de circulação.
Na verdade, devemos todos ganhar consciência de que quanto mais engajados e comprometidos com a observância das medidas impostas pelas autoridades para prevenir a eventual onda de contágio, mais rapidamente sairemos desta situação. O contrário, traduzido na resistência em acatar as orientações das autoridades e expondo-se ao risco, também é verdade, ou seja, mais tempo e mais dificuldade teremos.
Nesta celebração da paz, independentemente da situação de excepção em que nos encontramos, vale sempre a pena reflectir sobre os ganhos da paz e as atitudes para a preservar, sobre as melhores formas de maximizarmos estas vantagens e seguirmos em frente porque a vida não pára mesmo numa altura de desafios como esta.

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