Opinião

A segurança energética

Atendendo as incertezas relacionadas com as alterações climáticas, que estão a transformar regiões outrora férteis em desertos, áreas anteriormente “agraciadas” com abundantes recursos hídricos em simples oásis, entre outras realidades menos boas, vale a pena pensar em estratégias que contrariem essa realidade.


Por exemplo, as alterações climáticas estão a colocar em causa inclusive formas tradicionais de obtenção de energia eléctrica, de origem hidroeléctrica.
Como se sabe, as regiões menos desenvolvidas, curiosamente as que menos contribuem para as emissões de gases com efeito de estufa, são as que mais sofrem com as alterações climáticas. Estas regiões, em África, partes da Ásia e da América Latina, deverão gizar estratégias no sentido de minimizar os efeitos danosos das alterações climáticas.
Angola depende largamente da energia hidroeléctrica e numa altura em que as incertezas se acentuam, no que diz respeito ao impacto das mudanças climáticas em todo o mundo, urge promover uma estratégia que passe pelo uso de energias limpas.
As chamadas energias renováveis representam uma saída económica e ambiental pela qual numerosos países estão optar, com algumas multinacionais na liderança de inúmeras iniciativas.
Há dias, o director geral da Total Angola, a multinacional do mundo dos petróleos e gás, referiu-se ao potencial angolano no que às energias renováveis diz respeito. Entendidas como o conjunto de fontes energéticas que são naturalmente reabastecidas, como o sol, o vento, a chuva, as marés e energia geotérmica, as energias renováveis são, hoje, claramente determinantes do futuro como as comunidades devem materializar políticas públicas de desenvolvimento sustentável.
“As energias renováveis, sobretudo solar, são alguns dos principais negócios que a Total está a desenvolver e temos como foco o Sul do país, com destaque para a província da Huíla, onde estamos a preparar um projecto.
“Estamos em fase de consultas com o Ministério da Energia e Águas para criar condições para tornar efectiva a nossa entrada nesse negócio”, disse o director da Total Angola, Olivier Jouny.
Não há dúvidas de que Angola precisa apenas de aproveitar as potencialidades naturais que possui, para fazer deste importante segmento uma das suas maiores fontes energéticas para assegurar o seu desenvolvimento. Como disse o líder da multinacional francesa, as energias renováveis têm uma componente económica imensa ou, em palavras muitos simples, são negócios de que os Estados e as empresas não devem prescindir num contexto como o actual.
Em todo o mundo, a procura pelas chamadas energias limpas virou mais do que uma moda, transformando-se hoje numa necessidade vital e urgente dos Estados, atendendo a sustentabilidade e zero poluição que as mesmas proporcionam. Angola precisa de aprender com as experiências dos outros Estados e empresas que, nesta matéria, encontram-se já muito avançados.
Como a experiência popular aconselha “a não depositar todos os ovos num único cesto”, uma alusão à necessidade de diversificação da economia, Angola deve pautar igualmente a sua estratégia de diversificação das fontes energéticas. Afinal, está também em causa a segurança energética em Angola, numa altura em que pairam muitas dúvidas e incertezas relacionadas com a continuidade e sustentabilidade das fontes até hoje ainda tradicionais de obtenção de energia eléctrica.

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